Domingo, 25 de AGOSTO de 2019

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coluna da ana

Boteco de praia

por Ana D Ávila | Publicada em 15/02/2019 às 14h27

Um dos espaços mais democráticos da orla gaúcha é sem dúvida,o Boteco da Praia. Ali tudo é etílico. Tudo é risada. Tudo é descontração. Frequentado por pessoas de faixa etária variada, mas com aceitação de todos. O ar marítimo empresta um visual agradabílissimo e os guarda-sóis multicores uma proposta única  de bem-estar.

Aos sábados e domingos é bastante visitado pelos jovens. Os proprietários destes estabelecimentos capricham na musicalidade.O som, algumas vezes é mecânico e aos fins de semana ao vivo.Onde cantores e instrumentos musicais fazem a festa. Depois de algumas cervejas o pessoal cansa do "papo legal",arrastam mesinhas e cadeiras e criam espaço para dançar.

Os mais jovens gostam de rock  and roll e o cantor gaúcho Armandinho remete à temática do surf, do  amor e do mar. O repertório do eterno Raul Seixas tem sempre destaque. A música "Maluco Beleza" parece ser uma das preferidas desta galera. Eles cantam junto aos músicos-cantores. E sempre fazem sucesso.

Gúrias com tiaras coloridas na cabeça se misturam com tios de cabelos brancos. Há espaço para a paquera. Flerts de praia. Com muita diversão e data certa para terminar:no final do verão. Quando todos parecem embriagados o vozerio se avoluma. É geral.Na barulheira de sons musicais, de explosão de espuma das tampinhas de latas e garrafas de cervejas. Surgem os dançarinos de praia. Eles e elas se animam.

Num sábado destes, atípico em dias de verão, fazia calor e chuva.Ninguém nos Botecos de praia parou de beber e dançar.Ali agora, apareciam as "lobas". Denominação das mulheres de mais de 50 anos liberadas e festivas.Elas tomavam conta do lugar.Umas arrumavam parceiros para dançar. Outras, talvez mais emancipadas, contentavam-se com sua própria presença. Dançavam sozinhas. Sem dispensar o copinho de cerveja. Que parecia segui-las em todas as direções sem autorização.

E assim iam conhecendo também o cardápio do Boteco. Alicerçado principalmente nos etílicos e na água de cocô. No Rio de Janeiro, num destes quiosques junto à praia, o pessoal sofisticava. Serviam água de cocô com uísque. Mas o básico, lá e aqui no sul, é a cerveja. E apetitosos acompanhamentos: bolinhos de aipim e pastéis de queijo e camarão. 

A diversão e a culinária é a tônica destes ambientes. Mas temas sérios também são levados aos Botecos pelos senhores cinquentões. Discutem política, negócios e futebol. Grêmio e Inter se dividem nas discussões. E na praia, frequentadores até se provocam. Com camisetas azuis e outras vermelhas. E as mulheres com suas cangas, inspiradas e decoradas com as bandeiras dos dois principais times de futebol dos gaúchos.

As ondas do mar fluem. O  pessoal brinca. É verão. E apesar das águas das chuvas,volumosas e imprevistas, se divertem. Com suas peles bronzeadas, suas opções políticas e esportivas bem definidas. E ,principalmente com a alegria que o verão, a praia e o mar sempre trazem aos gaúchos e brasileiros.

Tainá Rios

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