Sabado, 07 de DEZEMBRO de 2019

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de malas prontas

Boa noite, Porto

por Luciano Del Sent | Publicada em 27/03/2019 às 19h03| Atualizada em 29/03/2019 às 19h17

Travessa de Cedofeita. Porto. Portugal. Era 02h30. Suor frio. Coração acelerado. Olhos abertos em estado de atenção. No apartamento luso, de fachada com azulejos azuis, à época, minha nova morada, situada no nº 20, apenas dois lances de escadas e uma porta de madeira fina —inspirada no cenário do clássico seriado mexicano, Chaves, dada a simplicidade do material — separavam-me daquilo que parecia estar saindo do controle.

Na cama, deitado, segurava com força a doleira onde guardava alguns trocados, levados em espécie para viver a primeira semana no Porto. Uma faca de passar manteiga era minha companheira. No corredor escuro, ecoava o barulho de socos, pontapés e gritos. Um baita entrevero.

  • “Abra la puerta”, exclamava uma das vozes.
  • “És la policia”, dizia outra, claramente enraivecida pelo álcool.

Espanhóis! Ora, espanhóis? Enquanto os colegas de apartamento se divertiam nas festas de despedida da mobilidade acadêmica deles, eu, novato, cansado da viagem de ida para Portugal, descansava. Sim, era a minha primeira noite no apartamento da Travessa de Cedofeita, no Porto, local frequentado pela nata da boêmia portuense, no qual surgiram muitas histórias.


 

Nessa, supostamente, enfrentava policiais espanhóis que tentavam derrubar a porta do meu apartamento. No quarto ao lado, dormia uma visitante francesa, de quem não se ouvia um suspiro. O silêncio pairava no ar. De certo, ela me acompanhava na constatação de que, naquele momento, algo estranho acontecia nas escadas de acesso. Por que diabos policiais espanhóis em terras portuguesas, tentavam invadir minha morada na calada da madrugada?

“Por via das dúvidas, a doleira já fazia parte do meu corpo. A faca se tornara as garras de adamantium do Wolverine. Nada, nem ninguém, faria-me levantar da cama até o clarear do sol.”

O cantar das gaivotas anunciava o amanhecer portuense, quando, após conseguir dormir alguns minutos durante a tensa madrugada, ouço novos gritos, vindos da bendita escada portuguesa.

“Luciano, abre a porta, por favor”, bradava meu colega de apartamento, retornando estafado da noite que fizera.



 

Oras, mas se ele tinha a chave, por que eu teria que abrir a porta? Nesse momento, percebi que a nossa porta estava arrombada. Exato! Quem estivesse tentando abri-la na madrugada, conseguira, e sem muito esforço, diga-se de passagem, pois, como alertei, nossa porta parecia cenário do Chaves: construída com isopor. Por sorte, o primeiro degrau das escadas impediu o acesso ao 2º andar do prédio, trancando a porta.

Enfim, terminou a primeira noite no Porto. Noite de emoções. Recolhi as garras de adamantion e desgrudei a doleira do corpo. A tal “polícia espanhola” — que de polícia nada tinha — jamais nos incomodou. Desde então, tive uma: Boa noite, Porto.



Tainá Rios

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