Segunda, 19 de AGOSTO de 2019

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coluna da ana

O louquinho da livraria

por Ana D Ávila | Publicada em 24/05/2019 às 11h58| Atualizada em 27/05/2019 às 14h27

Os olhos brilhavam. De emoção e estupefação. Quando avistava,de um bom autor, novo título na prateleira. A livraria estava cheia. E o vulgo "louquinho"embriagava-se com o saber escondido naquele mundo cultural. Tinha o salutar hábito da leitura instalado em seu ser. Fazendo seu cérebro enriquecer com testemunhais e inesquecíveis conhecimentos. Ele a cada dia, ia tornando-se sábio e único.Desde os tenros cinco anos de idade era assim.Agora, beirava os noventa anos.

Não era considerado um sujeito normal. No ponto em quê, o conhecimento se enlaça com a insanidade.Com suas citações e um interessante "papo"foi conquistando mulheres e o mundo.Mulheres tão loucas como ele. Mulheres intelectuais. Mulheres benditas. Mulheres eruditas e toda sua fauna. As mais jovens embebiam-se no seu saber. As mais velhas, almejavam ser como ele. "Bendito louquinho que semeias livros nas tempestades", gritava uma, na porta de Universidade. Computando os livros lidos,incluía-se milhares deles.

A média de leitura do brasileiro, excluindo-se os gaúchos, catarinenses,paulistas e paranaenses, é de um livro ao ano.Ficando desta estimativa,uma explosão de conhecimentos. Depois do advento do tablet e do pdf, o louquinho ficou até mais alucinado.

Formatou vários sites internacionais de livros e formou sua biblioteca ambulante, que carregava consigo como se fosse um cofre de barras de ouro. Sua biblioteca digital era preciosa. Continha livros que são raridades no Brasil. Já beirava 600 obras.Frisava sempre que o filósofo francês, Jean Paul Sartre, seguidor do existencialismo, lia 300 livros por ano. Aprimorada cultura, que diferencia e distingue os seres humanos.

Para uma amiga acadêmica ele dedicou uma lista.Como se fosse lista de supermercado, para quem tem fome cultural.Disse o louquinho: "leia estas obras e ficarás consciente politicamente e jamais te manipularão". Citou a literatura nacional: Jorge Amado, Érico Veríssimo,Lima Barreto e Machado de Assis. Da literatura internacional salientou, Ernest Hemingway (O Velho e o Mar), Simone de Beauvoir (O Mandarin), Stendhal (O Negro e o Vermelho), James Joyce (Ulisses),Tolstoi (Guerra e Paz), Dostoievski (O Idiota), Virgínia Woolf (Passeio ao Farol), Philip Roth (O Complexo de Portnoy),Jean Paul Sartre (A Idade da Razão)e Fernando Pessoa (O Livro do Desasossego).

Citou ainda autores atuais, como o moçambicano Mia Couto (O Vôo do Flamingo), Zigmund Bauman (O Medo Líquido) e Umberto Eco (O Pêndulo de Foucoud).Dentro da livraria, a sensação da moça era de prazer. Enternecia-se, enquanto fazia suas compras literárias. Saía da ignorância e penetrava no delicioso e esclarecedor mundo do conhecimento. Na sua forma mais autêntica: leitura de livros e mais livros.

Tainá Rios

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