Segunda, 21 de OUTUBRO de 2019

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Um abraço negro!

por Lilian Conceição da Silva  | Publicada em 30/07/2019 às 14h48| Atualizada em 05/08/2019 às 15h04

Hoje, em nossa coluna abordaremos um trecho do artigo da Professora Doutora em Teologia Lilian Conceição da Silva, reverenda da diocese meridional da Igreja Epsicopal Anglicana do Brasil, coordenadora junto com Antônio Amaro do Nascimento Filho ( criador do logo do UBUNTU), da pastoral Afro: Projeto "Abraço Negro". O primeira parte do artigo se refere a relevância de um Movimento Negro educador e a importância do reconhecimento da diversidade de nosso país. Disponibilizamos o artigo na íntegra em nosso página no Facebook UBUNTU- VIAMÃO/RS. Boa leitura!!!

A IDENTIDADE COMO ELEMENTO ELUCIDADOR DA DIFERENÇA, GARANTIA DO PRINCÍPIO DA IGUALDADE: UMA CONTRIBUIÇÃO PEDAGÓGICA DA RESISTÊNCIA DO POVO NEGRO
 
por Lilian Conceição da Silva 

A Educação anti-racista na denúncia da igualdade como homogeneidade

O evidente problema da homogeneidade está na negação da diversidade como oportunidade de valorização e de reconhecimento da identidade do sujeito, ignorando, inclusive, a composição étnico-racial do Brasil. 

Uma ação pedagógica para a diversidade, numa perspectiva de raça/etnia, deve resgatar a percepção dessa composição considerando a condição que cada grupo étnico tem assumido ao longo da História do Brasil. Ou seja: indígenas, como nativos; brancos, como colonizadores e imigrantes; pretos e pardos (negros), como escravizados; amarelos, como imigrantes. 

Certamente há muitas diferenças entre ser nativo, ser colonizador, ser imigrante e ser escravizado. Ocorre que essas diferenças denunciam as desigualdades históricas que impuseram aos povos nativos e aos escravizados uma sub-condição de existência, uma vez que lhes foram amputados quaisquer direitos de sobrevivência digna, sendo a educação um desses direitos fundamentais. 
    Não bastasse a negação do acesso à formação escolar como uma das mais evidentes desigualdades; a negação da participação ativa e fundamental desses povos na composição do povo brasileiro no registro histórico estudado na escola formal, também é uma das desigualdades que vem sendo denunciadas pelos seguimentos sociais ao longo das últimas décadas. 

Ao omitir a importância das contribuições desses povos na composição do povo brasileiro, a educação brasileira desconsiderou as especificidades desses povos, impondo-lhes a condição de homogeneidade. Por esse motivo, foi necessária a criação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, resultantes das demandas dos movimentos sociais, que tratam da inclusão nos currículos escolares de conteúdos sobre História e Cultura de África e de Afro-brasileiros, bem como da História e Cultura de Indígenas Brasileiras. A implementação desses instrumentos legais e sua aplicabilidade no cotidiano escolar trazem fundamentais contribuições para a mudança dessa prática discriminatória. 

A criação das Leis mencionadas reflete a legítima ação do Brasil em reconhecer-se como País racista. E como registram as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana: “Reconhecer é também valorizar, divulgar e respeitar os processos históricos de resistência negra, desencadeados pelos africanos escravizados no Brasil e por seus descendentes na contemporaneidade desde as formas individuais até as coletivas.” Partindo-se desse pressuposto, pode-se propor uma educação anti-racista como alternativa de ação pedagógica para a diversidade.

A partir de uma proposição de educação anti-racista elaborada por Eliane Cavalleiro, que relaciona sete elementos estruturais para analisar e pensar um projeto de educação anti-racista. São eles: o currículo escolar; o material didático; a formação docente; a minimização do problema racial; o universo semântico; a distribuição desigual de afeto e estímulo; a negação da diversidade racial na composição da equipe de profissionais da escola; é possível, portanto, reconhecer as contribuições das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, à medida que possibilitam a inclusão de temas omitidos historicamente, e, sem dúvida alguma, necessários à mudança de uma cultura escolar de invisibilização de sujeitos co-participantes do fazer histórico de uma nação multicultural e multiétnica que é o Brasil. 

Nesse cenário historicamente construído, vive-se uma cultura de mais valia e menos valia que é atribuída às pessoas, a todo o povo brasileiro, a partir do que se convencionou considerar como referencial e paradigma do ideal de ser humano brasileiro: macho, homem, branco, rico, hétero, adulto e sem deficiência; fazendo-se necessária a leitura da sociedade a partir de específicas categorias de análise social, tais como: classe social, raça/etnia, gênero, orientação sexual, geração e deficiência. 
A diversidade do povo brasileiro constitui sua maior riqueza cultural. Fazendo-se necessário se reconhecer que a História do Brasil, escrita pela classe dominante, omitiu essa diversidade e buscou impor uma homogeneidade há muito denunciada pelos seguimentos sociais, particularmente pelos movimentos de resistência do povo negro. Ao forjar a homogeneidade, aumentaram as desigualdades e para melhor entendê-las se faz necessária uma breve incursão para a reconstituição de como foram construídas as teorias raciais brasileiras, herdeiras de teorias raciais européias do século XIX.

Tainá Rios

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