Sexta-feira, 22 de NOVEMBRO de 2019

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coluna da ana

O sorveteiro de julho

por Ana D Ávila | Publicada em 02/08/2019 às 10h14

Domingo de inverno. Um solzinho tímido abraçava a cidade litorânea. Mas na beira da praia um ventinho cortante atropelava os mais corajosos que insistiam em viver no mar. Casais de namorados caminhavam de mãos dadas vivendo o calor do amor. Enquanto outros seres destemidos fingiam estar no clima tropical. Entre eles, o sorveteiro.

Seu José morava na Praia do Barco e para sobreviver se arriscava no seu comércio gelado. O carrinho do sorvete estava com o guarda-sol fechado. Puderá! Era estranho ver um ambulante vendendo sorvete em pleno mês de julho. Não estávamos na Alemanha. Estávamos no Rio Grande do Sul. E era incomum a cena do seu José empurrando seu carrinho em busca de fregueses. Mas ele insistia em vender picolés.

Havia uma certa alegria no ar. Talvez pela proximidade do mar. Parei para entrevistá-lo. "O senhor vende sorvetes com este clima?" Indaguei. Ele:" Claro que sim. Gelados fazem bem para a garganta". Discordando em gênero e número, não me imaginei tomando um sorvete. Minha garganta é inimiga de gelados.

 A praia  no mês de julho  recebe muita gente. São os saudosos do verão. Mas o agasalho é imprescíndivel. Seu José, talvez vivendo o "aquecimento global", estava de camiseta. Cá prá nós, não sei como aguentava!

Mais adiante um grupo de jovens destemidos bebiam no "Vavazinho". O Quiosque mais famoso e charmoso do calçadão de Capão da Canoa. É claro que todos estavam de gorros e calças de lã embrulhados em cachecóis coloridos. O ventinho penetrava nos poros como agulhas. Arrepiava, doía. Mas a gurizada enfrentava, movidos por garrafas de cerveja escura. "Petra" era o nome das cervejas.

Adiante um único surfista roubava a cena. Sua cabecinha sumia na imensidão de grandes ondas.Ao longe e, eventualmente se avistava também a sua prancha. Em guinadas mar a dentro. Enquanto dois cães praianos, na areia, aterrorizavam uma revoada de pássaros numa corrida exaustiva. Mas os caes perdiam a corrida.  Não tinham o aparato das asas. Subir aos ares era fácil para os pássaros. Para os caes, uma tarefa difícil e inútil.

Lá no extremo da praia, surgia novamente o seu José. O sorveteiro do inverno. Que por incrível que pareça,conseguia fregueses para os seus picolés. E de tanto insistir nas vendas, acabou tendo uma tarde de domingo bastante próspera. Parecia um dia de verão. Mas não era não!

Tainá Rios

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