Domingo, 15 de DEZEMBRO de 2019

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Aquele preto que tu gostas

por Marcelo Godoy | Publicada em 26/08/2019 às 13h58| Atualizada em 02/09/2019 às 14h14

Marcelo Godoy*

Lembro com muito gosto o modo como ela se referia a ele. Pelo menos ela o fez uma vez e isso ficou marcado muito fundo, dizendo: Caetano, venha ver o preto que você gosta. Isso de dizer o preto, sorrindo ternamente como ela o fazia, o fez, tinha, teve, tem, um sabor esquisito, que intensificava o encanto da arte e da personalidade do moço no vídeo.
( texto verdade tropical – Caetano Veloso)


Acordou subitamente, ouviu o canto dos pássaros e um raio de sol inundou seu quarto de luz, sabia que seria um domingo mais que especial.

Seu pai na cozinha preparava o desjejum, sua mãe cantarolava no quintal enquanto estendia as roupas no varal.

Pai, posso vestir? Segurava em suas mãos uma camisa vermelha, ele respondeu, mais tarde, hoje irei te levar para ver aquele preto que tu gostas. Ela sorriu, desde muito cedo seu pai a levava para manter viva na família uma paixão que passara de seu avô, pai, até chegar em Joana, ele acreditava que seria um menino, mas foi presenteado com o nascimento de uma filha, isso nunca foi um problema para manter vivo o amor que nutriam por seu time do coração.

No dia 18 de janeiro de 1950, nasceu aquele preto que ela tanto amava, Escurinho, um exímio cabeceador, entre 1970 e 1977 participou da equipe principal do Sport Clube Internacional e das duas primeiras conquistas do campeonato Brasileiro, além de sete títulos estaduais consecutivos.
Na metade dos anos 1970, Escurinho gravou um vinil. Ele compunha sambas com músicos da MPB brasileira, como Wilson Ney e Bedeu.

Disco na vitrola e as manhãs de domingo eram embaladas pelos sambas de Luís Carlos Machado e as tardes no estádio José Pinheiro Borda ( O gigante da Beira-Rio ) pelas subidas fantásticas e cabeçadas fulminantes contra o gol adversário, contou Escurinho certa vez que usava um colete de oito quilos para treinar os impulsos e saltos que faziam de suas cabeçadas uma arma letal contra o gol adversário.

Joana e o pai mantiveram por muitos anos o ritual de domingo, disco na vitrola pela manhã e à tarde paixão e alegria no gigante da beira rio, ela ainda recorda com muito orgulho e fala com olhos marejados a frase que ouviu do pai durante sua infância: hoje irei te levar para ver aquele preto que tu gostas.

O ano é 2019, Joana mantém ainda a primeira carteirinha de sócia do Sport Clube Internacional e sempre que o inter joga no Beira-Rio ela leva os filhos para manter viva essa paixão.
Aquilo de ser o preto o Escurinho ovacionado pela torcida e fazia calar a torcida adversária fez de Luís Carlos Machado uma lenda que permanece viva nas lembranças dos torcedores apaixonados pelo bom futebol.

Seja no esporte, na música, na arte, ou no dia a dia sempre haverá aquele preto que a gente gosta e o fato deles serem eles sempre intensificará a beleza do não preconceito e o amor verdadeiro que transcende qualquer etnia.

Tainá Rios

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