Quinta-feira, 17 de OUTUBRO de 2019

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Representação e apagamento do negro na cultura gaúcha

por Natacha S. Tavares | Publicada em 25/09/2019 às 13h24| Atualizada em 02/10/2019 às 11h49

por Natacha S. Tavares

Nesse mês de setembro vemos e ouvimos os festejos e comemorações endereçadas a tão amada cultura gaúcha, que de fato tem sim coisas bastante interessantes e belas, tais como suas danças de invernada e de fandango. Todavia, já tarda um repensar sobre essa tão elogiada história do Rio Grande, e não apenas sobre a história passada, mas também sobre a história presente. "Mas não basta pra ser livre, ser forte aguerrido e bravo, povo que não tem virtude acaba por ser escravo"?

O Movimento Negro de Viamão Ubuntu declara repúdio ao conteúdo deste trecho do hino riograndense, uma vez que as palavras não são apenas coisas, são produtoras e produzidas de significados, e nesse caso palavras que dizem de um passado e de um presente. Não cremos que o povo negro foi escravizado por sua falta de virtude, mas pela falta de virtude de quem escravizou. E se no passado essa escravização era predominantemente física, dada pela restrição do direito de ir e vir, hoje ela é social, intelectual e moral ainda, através das reduzidas possibilidades de estudo de qualidade, lazer de qualidade e trabalho digno.

Cabe-nos, ainda, dizer que especificamente nessa dita cultura gaúcha o povo negro ainda não ocupa um espaço de representatividade e, ademais, o legado e a herança do povo negro são negados como parte da construção da cultura gaúcha, sendo invisibilizadas suas contribuições seja dentro da cultura tradicionalista (tais como nas danças, instrumentos musicais e culinária), seja por meio da negação da cultura negra na cultura riograndense, tendo em vista que o samba, o hiphop, a capoeira, o futebol, o carnaval e as religiões de matriz africana não são reconhecidas como parte do hábito, da cultura e da história do estado do Rio Grande do Sul (SILVA, SANTOS, CARNEIRO, 2009).

Nesse sentido, precisamos ressignificar o sentido do "ser gaúcho", assim como precisamos revisitar a história do Rio Grande para compreender como hoje sofremos ainda os impactos e ressonâncias desses fatos históricos. Salientamos que entendemos como legítima a comemoração e o festejo relacionado à cultura riograndense, mas ao mesmo tempo exigimos e clamamos que as questões da cultura e das práticas do povo negro, assim como o combate ao preconceito e racismo se incluam também na agenda cultural e política do nosso estado. Sendo parte do Rio Grande do Sul, Viamão é atravessada por essas questões e deve também ter esse debate inserido nas escolas e em outros espaços formativos, culturais e políticos.

SILVA, G.F.; SANTOS, J.A.; CARNEIRO, L.C.C. RS NEGRO: Cartografias sobre produção do conhecimento negro. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2009.

Tainá Rios

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