Quinta-feira, 21 de NOVEMBRO de 2019

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Intolerância religiosa

por Lavínia Aguiar | Publicada em 02/10/2019 às 12h08| Atualizada em 16/10/2019 às 13h43

Olá, me chamo Lavínia! Sou militante do movimento negro Ubuntu e hoje vim falar sobre religiões.

Particularmente eu nunca tive contato com nenhum tipo de religião, tirando as vezes esporádicas que fui às igrejas evangélicas e à católica.

Mas desde cedo tive contato com o preconceito em relação às religiões de matriz africana que pra mim foram passadas como se fossem coisas do demônio. Quem me falava isso nunca tinha passado nem perto de uma religião de matriz africana mas me botava muito medo.

Sendo assim, um dia eu cresci e comecei a pensar com meu próprio cérebro, aí fui militar no movimento negro e comecei a estudar sobre  ancestralidade e percebi que se eu quisesse continuar militando num movimento negro eu teria que me despir desse preconceito. Em seguida eu visitei uma casa de religião no bairro Jari com a mãe Mila de Iemanjá que me apresentou a religião de umbanda a qual fiquei encantada.

Mesmo que eu não me identifique com o jeito de cultuar da umbanda eu tinha que estar a par de como surgiu. Por exemplo nossos ancestrais não podiam cultuar sua religião dentro das senzalas então tinham que associar o nome dos seus deuses com Santos da igreja católica
O exemplo mais conhecido é o de Nossa Senhora dos Navegantes da Igreja Católica que seria Iemanjá para os umbandistas.

Eu ainda sigo me identificando com o cristianismo. Seguidamente vou a uma igreja episcopal anglicana em Viamão popularmente conhecida como Igreja da Cruz deitada.

O que me despertou interesse em procurar essa igreja foi quando fiquei sabendo que se fazia uma leitura da Bíblia atual, não ficando presos a um fundamentalismo dogmático e preconceituoso em relação a outras religiões especialmente com as de matriz africana que é meu objetivo de estudo enquanto militante.   Nessa mesma congregação conheci um bispo, o Humberto Maiztegui, um cara super aberto que vai em manifestações contra a intolerância religiosa e que prega unidade na diversidade. 

Em reuniões da Igreja Anglicana conheci um casal arretado: nordestinos de  Pernambuco Reverenda Lilian Conceição e Antônio Amaro que vieram para o Rio Grande do Sul para implementar a pastoral afro Abraço Negro. Vocês já imaginam o quanto eu fiquei apaixonada pelos dois, né? Fiquei tão encantada que convidei ambos para serem meus padrinhos de batismo!

O mais lindo de toda essa experiência foi que meus padrinhos nunca negaram a nossa ancestralidade, foi inclusive o Dindo Antônio que me apresentou para a Igreja. Ele me mostrou uma colônia de alfazema, o perfume da ancestralidade, que é muito usada principalmente nos terreiros do nordeste.

Minha preocupação em ser Anglicana num movimento negro é de não tentar catequizar as pessoas como os padres jesuítas fizeram com os índios, até porque no nosso Ubuntu temos alguns camaradas de umbanda e temos que aprender a conviver com as diferenças, sempre preservando a nossa ANCESTRALIDADE.
E minha intenção militando na pastoral afro da igreja é conscientizar meus irmãos em Cristo sobre o preconceito e combater a intolerância religiosa dentro do cristianismo sem esquecer nossa ANCESTRALIDADE HISTÓRICA. 

Sigamos na luta pela diversidade religiosa e cultural

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