Segunda, 09 de DEZEMBRO de 2019

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coluna do gustavo

A Boa Rotina

por Gustavo Guedes | Publicada em 09/10/2019 às 17h25| Atualizada em 16/10/2019 às 13h41

Quando eu era mais jovem, detestava qualquer ideia de rotina. A idade e o amadurecimento fizeram eu perceber um outro lado dela, me permitindo usá-la a meu favor. Na adolescência, sempre a tive associada à escola e atividades que não me despertavam qualquer interesse. Na vida profissional, estava limitada ao trabalho no escritório. Esse relacionamento tortuoso com os hábitos diários só me prejudicou.

Me sentia obrigado a acordar muito mais cedo do que imaginava ser razoável, ia para o colégio e ficava sentado na cadeira sem poder conversar com meus melhores amigos. Me esforçava para prestar atenção no professor desmotivado e mal pago copiando o conteúdo de seu livro didático no quadro, enquanto eu repassava tudo para o meu caderno. Juro que tentava ser um aluno esforçado, mas essa forma de compartilhar conhecimento fazia os alunos compartilharem bocejos e a vontade de não estar ali. Se eu planejasse meus horários, com certeza conseguiria estudar, namorar, jogar bola, ver televisão e ler. Mas se organizar demanda energia e tempo, e a última coisa que eu pensava era no relógio ou me ater a qualquer tipo de regra. A consequência disso? Ao invés de aproveitar, eu desperdiçava meu tempo livre.

Mais velho, seguiam as obrigações de quem reclama de barriga cheia e não sabe a sorte que tem, com minha rotina se tornando sair do conforto máximo do meu apartamento, encarar o trânsito, chegar no escritório, verificar se cheguei antes do chefe, café, e-mails, consultar a hora, relatórios e almoçar. Volto para o trabalho, pego outro café, analiso documentos, preencho planilhas do Excel, olho o relógio, reuniões, o chefe já saiu, trânsito e a maravilha do lar. Não consigo imaginar nada mais entediante. Inclusive para ler. Acredite, se você chegou até aqui, ou também sofre com dias rotineiramente maçantes, ou tem muito apreço por mim e quer saber como essa crônica termina. Pois saiba que a recíproca é verdadeira.

Tanto na adolescência quanto na vida adulta, somente o que estava fora da rotina me era aprazível. Percebo que meu período escolar me condicionou a aceitar e ter como hábito priorizar atividades causadoras de desconforto necessário, por assim dizer. Mas isso mudou. Agora, caro leitor, terá a sua recompensa por aguentar esse texto falando sobre rotina. Outro dia, sobrecarregado com o estresse do trabalho e sem tempo ou energia para fazer que me dava prazer, parei, respirei fundo e planejei meu sábado e domingo inteiros. Não levou mais do que dez minutos e o resultado foi um final-de-semana além de muito produtivo, com tempo suficiente para o descanso e visita aos meus pais para o almoço de domingo.

 Passei a aplicar a rotina aos meus dias de semana. Não para aumentar minha produção no escritório, mas sim para melhorar minha qualidade de vida. A primeira medida foi acordar mais cedo e tomar café da manhã com toda a calma possível. Confesso que nos dias que não conseguia acordar tão cedo, agia da mesma forma e culpava o atraso no trânsito. Minha dificuldade de levantar da cama foi superada quando descobri um segredo comportamental que ajuda a quebrar as próprias barreiras. Após mais ou menos trinta dias de esforço para fazer algo, isso se torna um hábito. Repetida por noventa dias, a atividade já está entranhada no nosso corpo.

Essa mudança não ocorreu de forma abrupta, mas gradual. Passo a passo substituí antigos comportamentos prejudiciais à minha saúde mental e corpórea, e que, as vezes, desgastavam até meus relacionamentos. Sem fazer nada muito radical, “adquiri” tempo para passear com o cachorro, ler, sair com os amigos, regar as plantas, fazer exercícios, comer com calma, reciclar. A desculpa de não ter tempo só existe quando não aceitamos a boa rotina na vida, a qual é sinônimo de vitória do que queremos fazer sobre o que nos é imposto fazer. Ou do que, ansiosamente, fazemos sem controle. Ser uma pessoa de hábitos ajuda. Mesmo para sair da rotina.

Tainá Rios

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