Quarta-feira, 13 de NOVEMBRO de 2019

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Ser negro...

por Baba Phil | Publicada em 16/10/2019 às 13h56| Atualizada em 06/11/2019 às 12h09

*por Baba Phil

Historicamente o povo negro, seus descendentes e até mesmo pessoas não negras lutam para que todos possuam equidade na sociedade brasileira e mundial. Luta, resistência, rebeldia marcam a trajetória dos afrodescendentes no mundo todo. Em uma sociedade colonizada por portugueses e que foi uma das últimas a abolir a escravidão - e por pressão internacional, que fique claro -, essa ferida segue aberta. Segundo o IBGE, 54% da população brasileira é negra; levando em consideração a matemática simples, o Brasil é um país predominantemente negro. E, no entanto, é essa a parcela da população que permeia as favelas, que é marginalizada, mal vista, recebe os menores salários, é taxada de bandido na maioria dos casos… 

Não precisamos ser maiores, melhores ou receber tratamento diferente por causa da cor. Bem pelo contrário: todos queremos apenas ter direito às mesmas condições e oportunidades do restante da sociedade. 

Muitos são contra toda e qualquer ação afirmativa destinada ao que chamamos de "minoria" (o que não se emprega no caso do povo negro), alegando um falso privilégio para essas massas, justificando com meritocracia para negar quaisquer medidas que visem reparar as distorções históricas nos direitos dos negros. Comparam os descendentes da escravidão com imigrantes não negros, que foram atraídos para cá e receberam incentivo fiscal e material, e suas conquistas ao longo do tempo como se tivessem tidos todos as mesmas oportunidades e os mesmos tratamentos. Nada mais equivocado e desonesto. Para  compreender isso é necessário darmos uma pincelada na história para lembrarmos que ao contrário dos imigrantes, os escravos libertos não receberam terras para que a partir disso pudessem sustentar a si e aos seus; muitos escravos se viam obrigados a voltar, mesmo não oficialmente, as condições sub-humanas da escravidão para poder ganhar uma mísera refeição diária após horas quase intermináveis de trabalho.

E, mesmo assim, muitos foram à resistência e trabalharam duro para ser reconhecidos, para dar condições melhores aos seus descendentes. Muito se lutou e ainda se luta para resgatar uma cultura oprimida, para que se possa professar a própria fé, cultuar aquilo que foi trazido junto a alma nos navios negreiros e que por muito tempo fora a única motivação para continuar lutando, mesmo quando isso resultava no tronco e na morte.

A guerra está longe de terminar e apesar de velado, o racismo ainda é praticado a todo momento. Brincadeiras que só tem graça pra quem não carrega no coração as marcas das chibatas dos seus ancestrais, uma dor solitária que quando transborda é chamada de vitimismo. É, dizem que é apenas drama daqueles que foram empurrados às periferias, para se esconderem de uma sociedade em que nem escolheram viver. Uma sociedade que muitas vezes não sabe nem por que não gosta do negro, mas foi ensinada que tudo o que vem do negro é ruim ou; ou talvez até goste mas finge que não para conseguir alguma aceitação.

Ser resistência, ser aguerrido, ser animoso, ser pugnaz, isso é ser negro...


Axé
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