Segunda, 09 de DEZEMBRO de 2019

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coluna da ana

Sem Pudor

por Ana D ávila | Publicada em 18/11/2019 às 17h56| Atualizada em 25/11/2019 às 13h59

Não dava para ignorar que aquela figura tinha hábitos masculinos. Criada pelo pai, aprendeu  a resolver seus problemas como homem. E o que é mais confuso ainda. Aprendeu a pensar como homem. Mas era na realidade bem feminina. Cansada de ser olhada como lésbica ou bissexual num encontro social usou de agressividade. Sentenciou em alto e bom som: “Gosto de homem”. Enfurecida abandonou a festa. Aos olhos estupefatos, dos demais convivas.

O pai de Beatriz era desenhista arquitetônico. Levava a guria seguidamente para seu local de trabalho. E, na Sociedade de Engenharia,  tinha grandes amigos. Ela tinha uns sete anos. Se acostumou a escutar  conversas de homens. As mulheres da família, que visitavam sua mãe, a ignoravam. Depois dos 15 anos, se apaixonou  por um belo amigo de seu pai. Amor platônico. De muitos olhares e grande inquietação. Ela imaginava casar com ele. Pelo menos, era o mais inteligente. Apesar de ser trinta anos mais velho.

Vestida quase sempre de jeans, ela não chegou a usar vestidos nem saias femininas. No fim do ano, entretanto, o pai a levava numa boutique no centro da cidade, para comprar presentes natalinos. Ele ajudava a guria, a escolher peças sofisticadas. Sempre acompanhando sapatos e bolsas que combinavam cor e modelo. Adquiria também    chapéus de verão.  Nas festas de família, todos a notavam. Nestas ocasiões, não duvidavam de sua feminilidade.

Ela cresceu com a certeza de que seria arquiteta famosa. Que trabalharia com seu pai. Mas ela não era nada genial em matemática. Os projetos arquitetônicos de seu pai não eram tão inteligíveis para ela. Optou pela Medicina. Aos 25 anos recebeu seu diploma. E com ele, as inevitáveis conquistas profissionais. Aos olhos não muito satisfeitos do pai, que a queria junto a ele, nas reuniões dos arquitetos e engenheiros da cidade.

A moça foi adquirindo  sapiência que fugia ao controle dos namorados. O primeiro deles, o qual foi apaixonada  , a considerava uma calhorda. Foi num questionário dos tempos ginasianos que ela perguntou para ele, o que achava dela. A resposta a decepcionou profundamente  .Respondeu:”Metida a gostosa”.Crítica logo  vinda dele. O guri mais civilizado.  Que ela achava lindo.E, que estudava Jornalismo. Com aqueles belos  cabelos lisos. Esqueceu-o. Como todos os outros, que a julgavam, indelicada, masculinizada e sem postura de mulher.

Como aquele jeito  frenético de andar adentrou no Shopping. Procurou assento no Café da Livraria  . Sem nenhum pudor, abriu um livro. Não era de Freud. Mas falava de gêneros humanos. Foi folheando enquanto pediu um cafezinho. Duas colherinhas de açúcar mascavo e a certeza de adquirir o livro. No sábado seguinte, um jantar a esperava. Sentado no sofisticado restaurante, lá estava ele. O companheiro de sua vida. O amigo que mais a atraía .Era educado, viajado e culto. Mil ideias para trocar. Muita identidade.Estórias para contar. E, dois inevitáveis cálices de vinho, para degustar. 

Tainá Rios

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