Quarta-feira, 28 de JUNHO de 2017

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

opinião

O velhinho da livraria

Publicada em 02/06/2017 às 10h32| Atualizada em 02/06/2017 às 10h37

Tio Florêncio acabava de completar 86 anos. Leitor profissional desde os cinco anos de idade, não dispensava uma visita mensal a livraria mais famosa da cidade. Lia de tudo. Comprava sempre muitos livros. Em sua casa mantinha uma biblioteca bem volumosa. Tinha literatura nacional e muitos livros de compreensão universal. E, o conteúdo destas obras universais, povoavam seus pensamentos.

O tempo passava e Florêncio ia envelhecendo. Dizia até, já estar cansado de viver. Talvez por influência da leitura de Shopenhauer.  Ou Nietzsche. Ou ainda, do poeta Rimbaud, que era bastante trágico. Certo dia, Florêncio entrou em pânico. Seus olhos, já bastante cansados pela idade, transformaram-se num problema oftalmológico. Estava enxergando com muita dificuldade. Na volta da consulta com o oculista, descobriu que estava com catarata.

Sua vida se transformou num drama. Ele precisava ler. Viver sem leitura, para Florêncio era como morrer devagarinho. Não teve outra alternativa  a não ser, operar os olhos. Numa Clínica especializada, seguiu a risca, a cirurgia e o tratamento. Mas a recuperação era lenta. E neste ínterim, ainda sem o foco ocular, tentou de tudo para continuar lendo. Mas não conseguia. Comprou até uma lupa. E recebeu de presente do seu irmão mais novo, uma régua- lupa.Que era mais sofisticada e eficiente. Mesmo assim, as letras ficavam desfocadas.

Uns oito meses depois e, com novo tratamento no oculista, começou a melhorar. O oculista receitou dois óculos. Um para leitura e o outro para longe. Florêncio já se sentia melhor. A primeira coisa que fez foi fazer uma lista dos livros que compraria. Como sempre fazia foi a livraria. Mas na vida, e também na  tragédia, sempre existe um lado cômico.Aconteceu um inusitado.

Tio Florêncio acompanhado pela esposa, se entusiasmava com as novidades literárias. A prateleira que mais o encantou, foi a das obras de cunho científico. Principalmente as de Michio Kaku, físico americano influente. Contou com a ajuda da esposa para guiá-lo dentro da livraria, já que não estava com  a visão totalmente boa. A esposa, num rápido momento, descuidou-se e saiu de perto dele. Já o havia presenteado com um livro. Mas ele, em se tratando de livros, era insaciável. A livraria         estava lotada. Uma moça se aproximou de Florêncio na mesma estante. Ele não enxergou direito e pensando tratar-se da esposa, sentenciou no ouvido da estranha: “O que é que tu vais me dar agora?”, referindo-se a outro presente literário. A moça, sentiu-se assediada e incomodada. Desapareceu dentro da Livraria, pensando  tratar-se de um velhinho tarado. A esposa reapareceu e rebateu: ”Que é isto Florêncio? Agora além de livros, estás gostando também, de cochichar no ouvido das mulheres!“

 

 

Últimas Ana D Ávila

Telefones:
Depto Comercial - 51 3046-6114 - Ramal: 200
Redação - 51 3046-6114 - Ramal: 202
ADM/Financeiro- 51 3046-6114 - Ramal: 200

Expediente:
Rodrigo Becker - Editor-Chefe
Bruna Lopes - Repórter
Maiara Tierling - Administrativo
Rosângela Ilha - Diretora
Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS