Quinta-feira, 14 de DEZEMBRO de 2017

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opinião

Uma certa pobreza feliz

Publicada em 09/06/2017 às 11h04| Atualizada em 09/06/2017 às 11h06

Aquela sensação de felicidade suplantava a pobreza. Que não era tão exageradamente grande. Mas assustava. Tudo ao redor parecia um declínio social e humano. Os velhos ônibus que chegavam. As vestes das pessoas que os esperavam. O ambiente ao  redor e as malas. Os complementos dos transeuntes, suas sacolas e seus olhares confusos. Passos atropelavam a hora da partida. Iam e vinham de muitos lugares. Estavam na estação rodoviária. Estavam no Brasil.

Casais nem conversavam. Olhavam inertes para os ônibus que partiam. Uma criança no colo da mãe, chorava. Parecia com fome. O pai comprou umas bolachinhas baratas e deu para a criança. Tinha fome. Comeu e parou de chorar. Uma moça de longos cabelos negros viajaria sozinha. Para onde iria? Que parentes a esperariam? Teria um grande amor?

Subitamente e olhando o relógio, o casal se afastou do banco de espera. Olharam a Cafeteria. Dentro, um cheiro forte de café. Que aguçou seus paladares. Sentiram na boca a delícia do café com leite. Pediram duas taças e dois pastéis de queijo. Que eram magicamente confeccionados e fritos na hora.

 Seus olhos brilharam com a bandeja do lanche em cima da mesa. Aquele gosto,aquela toalha de plástico e de florzinhas, aquele café, aquele momento era a felicidade. Esqueceram por breves minutos a angústia  de viver sem dinheiro. E tomaram o café com a sensação de uma vida plena. Saciados e felizes voltaram ao banco de espera. O ônibus já deveria ter chegado. Mas eles atrasam. Existem imprevistos.

O homem tirou da mochila um livro de muitas páginas. Falava da vida do grego Epicuro. Lembrava que  as coisas simples é que trazem felicidade. O filósofo vivia comendo lentilhas, morava numa pequena chácara rodeada de árvores e a maioria de seus amigos eram pessoas marginais.E gênios alternativos.

 Epicuro se espelhava na felicidade. Que chega sempre de pequenos fatos, de raros encontros e da satisfação de, no momento certo, saborear delícias. Como o café que aquele casal bebeu. Naquela cafeteria tão simples. E ao mesmo tempo tão atrativa e única. Naquela rodoviária de tantos contrastes.

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