Quinta-feira, 14 de DEZEMBRO de 2017

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opinião

Surto de ciúmes

Publicada em 03/07/2017 às 11h12| Atualizada em 04/07/2017 às 10h18

E...foi brincando de viver, que ela envelheceu. Não estava tão decrépita a ponto de não despertar mais desejos num homem. Mas sua carne já não era a mesma. Suas ideias sobre a vida e até alguns pensamentos tornaram-se endurecidos. Suas unhas também. Ao seu lado,na cama, dormia um marido monumental. Era oito anos mais jovem do que ela.Seguiu-se aí  momentos de insegurança e inquietação.Homem não tem celulite e cabelo branco é sinal de charme.

O marido, empresário do ramo dos vinhos na Serra gaúcha tinha sangue italiano. Desses que não pode ver bunda de mulher sem dar um beliscão. Olhos cor de mel.Moreno e grisalho. Alto, boca carnuda e um vigor sexual invejável. Maria conjecturava. E imaginou  possíveis casos com as mulheres que gravitavam ao redor de seu marido. Imaginava ele com elas. Naquela noite perdeu o sono. Na cozinha com uma xícara de chá de camomila nas mãos foi ampliando as situações.Ou melhor,dando asas à imaginação.

A primeira que veio ao seu pensamento, foi a veterinária. Pois seu marido volta e meia, levava a sua cadela Kika, para fazer acompanhamento e vacinas. Pensou na possibilidade dela saltar nele como uma cadelinha. Lambê-lo todo com raro instinto animal.Depois que passasse o cio, ela o abandonaria.Seu interesse seguia um ciclo e este caso,segundo ela, não vingaria. Seria um amor temporário.

A segunda mulher de sua lista era uma advogada. Destas com cabelo nas ventas. Mas meio macho, para o gosto do marido. Com esta Maria teve mais paciência. Mesmo porque se o maridão pisasse nos freios da advogada, era processo certeiro.Assédio sexual. E além do mais, não era bonita. Embora tivesse grandes e lindos olhos castanhos.

A próxima da lista, era uma psicóloga alemã. Lindíssima, mas meio gélida. Se é que ela conhecia bem seu marido, mulher sem orgasmo, é só um protótipo. E a pobre alemãzinha tinha problemas nesta área. Traumas de infância. Muitas travas sexuais. Que deram a ela algumas sequelas. A coitada veio ao mundo só para procriar. Jamais sentira qualquer prazer em cama nenhuma. Maria já com a xícara de chá pela metade,pensou na próxima candidata aos carinhos do marido.

Era a esposa de um empresário, colega dele. Esta tinha um olhar envolvente. Lembrava o estilo de Rodolfo Valentino. Um quê de insatisfeita e com muito dinheiro. Poderiam passar um final de semana juntos ou até algumas horinhas. Já que ela dispunha  de um jatinho particular, no hangar do Aeroporto de Caxias do Sul. Pois é, suspirou Maria. Aí seria covardia. O capitalismo e o dinheiro quase tudo podem.Exceto nos conduzir a verdade existencial.

Na cozinha, Maria nos últimos goles de seu chá calmante, viu o marido na possibilidade de ter um caso com a “promoteur”da cidade. Esta vivia em festas da alta sociedade.Poderia perfeitamente, entre um coquetel e outro, desfrutar de momentos inesquecíveis com aquele seu Deus Grego. O marido era um homem bem sucedido. Alegre. Fazia amizades com facilidade.

A última a entrar em sua mente, era uma ninfeta, amiga da família. Seu marido praticava musculação e aos domingos, motociclismo. A garota também. Não saía da academia de ginástica e possuía uma Suzuki incrementada.Maria imaginou os dois juntinhos numa moto com carenagem de corrida, voando para o Autódromo. Talvez a moça na carona, dando aquele amasso na cintura dele.

O chá chegou ao fim. E a calmaria também. Maria deu um suspiro. Voltou para a cama. Viu que todas aquelas mulheres faziam parte somente do seu surto de ciúmes. De sua imaginação. Não da vida dele. Observou o marido. Ele começou a roncar. Olhou fixamente para ele e viu uma leve perda de cabelos. Estava ficando calvo? Deitou ao seu lado. O abraçou. Resolveu estancar seu ciúmes. Afinal, Maria não tinha problemas de queda de cabelo. Dormia bem quietinha e quentinha. Não roncava. Apesar da idade, tinha vitalidade, saúde e uma alegria que contagiava. Além de muita imaginação, é claro.

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