Terça-feira, 26 de SETEMBRO de 2017

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opinião

A importância do nada

Publicada em 11/08/2017 às 09h33| Atualizada em 12/08/2017 às 10h15

O “nada” sob o enfoque da física quântica pode ter importância significativa. Mas no palco do Teatro inquieta um pouco. E, diverte também. O espetáculo “O Escândalo de Phillip Dussaert” que o ator Marcos Caruso encenou em Porto Alegre neste final de julho trouxe a tona esta experiência. Do nada. Da arte contemporânea e da criação artística de uma ideia.

A peça divertiu bastante a platéia gaúcha. E lançou também no ar, uma inquietação. Sobre o que realmente é arte. E se o “nada” colocada como tema seria criação artística digna de referências. No Teatro São Pedro, Marcos Caruso através de um monólogo, o primeiro em mais de 40 anos de carreira, interagiu algumas vezes com o público.Que respondia com aplausos e interferências inteligentes.

O texto do espetáculo é o premiado “O Escândalo Phillipe Dussaert”, do dramaturgo francês Jacques Mougenot. Na França, o solo, interpretado pelo autor, teve mais de 600 apresentações. Caruso no palco dispõe de um banquinho, uma mesinha, um jarro d’água, alguns livros, anotações e projeções de pinturas para fazer seu show. O cenário bastante “clean” foi, concebido por Natalia Lana. O texto é brilhante, por todas as reflexões que gera – sobre arte, valor, estética e discurso – da maneira mais acessível possível.

Em cena, o ator  apresentou a história do pintor Phillipe Dussaert, conhecido por pintar quadros conceituais – o fundo de obras conhecidas. “Monalisa”, de Leonardo Da Vinci, por exemplo: retirando a mulher do enquadramento, o que resta? O fundo. É o que ele pinta. Ele faz isso para várias pinturas, retirando o que há de vida humana ou animal, firmando seu nome nos museus e galerias. Sua série “ao fundo de…” se torna um sucesso.  

Então, Caruso-narrador revela o “escândalo”: inquieto com “ao fundo de…”, Phillipe Dussaert anuncia uma nova exposição, “No Fundo”, para mostrar o que estaria ao fundo do fundo – ou seja, por trás da paisagem. Quando os convidados chegam à galeria, a encontram vazia: não há nem mesmo uma tela em branco, ou uma moldura. Dussaert se desfaz de forma e conteúdo levando sua obra à limitação de um conceito. “No fundo” é o nada.

 “O Escândalo Phillipe Dussaert” apresenta uma estética harmoniosa. Natalina Lana, assinou o cenário e cuidou do figurino do ator: calça, camisa social e blazer em tons escuros – que se comunica diretamente com a iluminação marcada pelos momentos de lilás e roxo. Sem muito em cena, é o desenho de luz que ocupa e diminui espaços, com certa beleza. Um ponto alto da montagem é quando a projeção de vídeo transporta o narrador para dentro da galeria de arte vazia, com a exposição “No Fundo”. Onde o “nada” inquieta. E transcende.

 

 

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