Domingo, 22 de OUTUBRO de 2017

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opinião

O gaudério

Publicada em 25/08/2017 às 09h23| Atualizada em 27/08/2017 às 18h30

Figura folclórica conhecida no Rio Grande do Sul e no Uruguai, Seu Gomercindo se alvorotava no mês de setembro. Sua agenda ficava pequena para tanto evento: Expointer, acampamento farroupilha  e umas sacudidas de lenço vermelho lá pelas bandas de Punta del Leste para não esquecer o  sotaque castelhano. Suas predileções nesta vida eram: mulheres (de preferência morenas e gaúchas), cassinos, cavalos de raça e músicas gauchescas.

Tinha fama de Don Juan e a primeira coisa que fazia quando conhecia uma mulher, era falar de seus feitos e de suas fazendas. Criador de gado de raça, cavalos crioulos e ovelhas, ele vivia entre o campo e a cidade . Que por sua vez, fazia divisa do Brasil com o Uruguai. Na bagagem profissional, possuía dois cursos: veterinária e agronomia. Uma de suas fazendas, na imensidão do pampa, era bem acolhedora. No salão principal ele mantinha belo acervo de obras de arte com temática campeira. No outro lado, fotos de cavalos e um troféu estilo “Freio de Ouro” que outrora, ele havia conquistado na terra dos “hermanos”.

Seu Gomercindo em seus relacionamentos amorosos, não aguentava muita “churumela” de mulher. Divorciou-se da primeira. Casou com a segunda e não contente, vivia “ciscando” em outros terreiros com uma esperteza eletrizante. De rodeios em rodeios. De gineteadas em gineteadas, certo dia, conheceu uma gaúcha especial. Mas esta moça era de família. Donzela. E, por mais que a rodeasse, o pai da moça  impedia que ele chegasse perto da filha. Ele vivia atormentado com o fato. Até prometeu uma viagem para a Capital para conhecer o pai da moça e pedir permissão para levá-la para uma de suas fazendas. Depois de um provável e festivo casamento.

Certa feita, num inverno de renguear, seu Gomercindo, já passando dos 60 anos, descobriu a Internet. Apaixonou-se por aquilo. Ele buscava informações sobre agropecuária. Neste ínterim, descobriu outras utilidades paralelas. Comprou dois computadores (convencional e NoteBook ). E chamou um técnico de informática  para lhe dar umas aulinhas. Não conseguia mexer naquilo, sem ficar nervoso. O rapaz da informática, cobrou bem caro a visita, mas instruiu eficazmente seu Gomercindo. Que numa noite resolveu domar o computador como fazia com seu cavalo. Passou a noite toda clicando. Deslumbrado com as informações e, principalmente com os sites de relacionamentos. Já passava das 5 horas da manhã, o galo cantando e o gaudério bocejando pela noite mal dormida.

Queria conhecer todo mundo. Mas poucas mulheres lhe davam atenção. Mesmo porque umas moravam bem longe. No finzinho do mês de agosto e, de posse de suas roupas mais lindas, incluindo suas inseparáveis botas campeiras, combinou um encontro com a moça de Porto Alegre. Queria levá-la à Expointer. Para conhecê-la e curtir as atrações da exposição. Em sua lista de compras, figurava uma “guaiaca feminina” que ele daria de presente para a moça. E, um trator “top de linha” para as lides da fazenda. Seu Gomercindo, tinha sotaque fronteiriço-castelhano bem carregado. Descobriu com facilidade o número  do  celular da moça. Ela também era frequentadora da Internet. Numa manhã de domingo, em telefonema rápido como galope de tubiano, foi categórico: “Tu  me queres?” “Andas pensando em mim?” Ela disse sim. Então, rápido como tiro de espingarda, sentenciou: “ Nos encontraremos na Expointer”!

 

 

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