Domingo, 22 de OUTUBRO de 2017

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

opinião

A aposentada de botinha chinesa

Publicada em 15/09/2017 às 11h37| Atualizada em 15/09/2017 às 13h47

Se aqueles anos de dureza profissional sugavam suas forças intelectuais. A espera da aposentadoria exauria sua paciência. De um lado a propaganda oficial do Instituto Nacional do Seguro Social, dizendo que aposentar-se era fácil. De outro lado, debates acalorados do Governo dizendo que haveria mudanças na Previdência. A realidade da Dona Margarida era outra. Já passava dos 65 anos e estava literalmente falida. Sem dinheiro e sem emprego. Sua carteira profissional começava a cheirar mofo.

Esperou cinco longos anos para juntar a papelada da aposentadoria. Mas esta, se distanciava dela a olhos vistos. Achava que seu histórico profissional estava travado no tal computador do INSS. Ou que talvez, algum empregador esquecesse dela na hora de computar seus anos de contribuição. A espera era longa. Mas enfim, após inúmeras madrugadas em filas atrás de senhas para as entrevistas, se aposentou. Depois ironicamente pensou em fazer hidroginástica. Como uma compensação para a energia gasta.

Parecia que aposentadoria rimava com exercícios na água. Espantaria o tédio e manteria seu corpo em forma. Em mentalizações continuava a pensar em preservar a saúde. Que aliás e, louvando Deus e sua genética, ela tinha. Para nadar inclusive. Dona Margarida cuidava da alimentação, não tinha vícios e dormia cedo.

Lépida e faceira, aguardou o dia do primeiro pagamento como aposentada. O cartão magnético retirado no Banco dias antes, era da cor branca. Assim como, seu saldo bancário anterior. Uma fila tranquila e especial, a aguardava. Sem empurra-empurra. Só para aposentados. Foi rapidinho. Num “tec-tec” o dinheiro foi surgindo, animando a Dona Margarida.

Ela pensava em sair dali direto para umas compras no Shopping Center mais próximo para tirar o atraso. Sentaria num café, suspiraria e faria sem plano de voo. Ou quem sabe, usaria o dinheiro para saldar dívidas. Adquiridas no tempo das vacas magras. Pela rua, avistou uma loja com bela vitrine de calçados. Amou tudo que viu. Tênis branquinhos e sapatilhas confortáveis. Mas a aposentadoria não era assim tão polpuda. A compra deveria ser mínima e bem planejada. Decidiu comprar apenas uma botinha. Que era forrada, com botão, um mimo.

Chegou em casa, com mais calma leu a etiqueta:”Made in China”. Conferiu o que ouvia falar nos debates no Rádio e na Televisão. “O mercado dos sapatos chineses invadiu o Rio Grande do Sul”. Compensa lá, descompensa aqui, Dona Margarida queria é ficar com os pés quentes. Pois de economia e mercado internacional, não entendia bem.

E, agora, mais alegre do que nunca. Está quase entendendo a confusa e demorada aposentadoria do INSS. E desfilando em dias frios, pela Rua da Praia, no centro de Porto Alegre, com suas insuperáveis e úteis, botinhas chinesas.

 

Últimas Ana D Ávila

Paginas: [1] 2 Próxima »
Administrativo/comercial
51 3046-6114 - Ramal: 200
Redação
51 3046-6114 - Ramal: 202

redacao@diariodeviamao.com.br

Vinicius Ferrari - repórter
Guilherme Klamt - repórter/imagens
Silvestre Silva Santos - editor/economia
Maiara Tierling - administrativo/comercial
Rosângela Ilha - diretora
Roberto Gomes - diretor
Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS