Sexta-feira, 24 de NOVEMBRO de 2017

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opinião

Manhã de sol

Publicada em 13/10/2017 às 08h36| Atualizada em 16/10/2017 às 16h45

Tudo que ela queria era viver. E vivia. A trancos e barrancos, mas vivia. Com esperança, talvez. Com alegria, sempre. Seguia-se um domingo iluminado. Pleno de sol . Era Primavera. Seu marido, ao contrário, não prezava muito a existência. De tanto ler Shopenhauer entristeceu. Deprimiu. Mas o sabor de uma manhã com os segredos e novidades que apareceriam era instigante. O sol e o galo já se manifestavam. Apesar de morar na  capital, aquele “co-ro-có-có” dava a sensação de estar vivendo num sítio do interior.

Postada no computador e com a cabeça fresquinha, começou a escrever versos. Suas poesias eram existencialistas. Intrigava. Porque eram ingênuas. Quase infantis. Sonhava com a possibilidade de um livro. Mas não se reconhecia como poetisa ou escritora. Tinha veia para a coisa, mas não tinha dinheiro. Parecia que o destino neste caminho estava cercado por pedras. Grandes pedras. Que sempre a impediam de publicar. Ou talvez pela simples razão de  lhe faltar o combustível  que move o mundo atual: os cifrões.

Mesmo assim e, movida por um desejo indecifrável, continuava escrevendo versos. Mostrava para os entendidos culturais. E eles, por pena,verdade ou gratidão, acabavam sempre valorizando os escritos. Mas no fundo, ela não acreditava nestas avaliações. Até que um dia, num desses contatos editoriais, chegou ao mestre. Ele queria editar e imprimir seu livro. Aquela sensação de desejo por realizar-se imprimia nela uma outra sensação. De que tudo que escreveu poderia ter valor literário. Poderia conter ensinamentos. Não apenas palavras de acasos e diversões.

De malas feitas rumou para o centro do País onde um editor qualificado a aguardava. Era seu primeiro livro. Era carreira solo. Era também, a solidão de ser mais uma. Agora, a responsabilidade do fazer batia à sua porta. O editor era um sujeito jovem. Deveria acreditar em novos projetos. Mas o problema é que ela, não acreditava . Escrevia para desafogar um nó que carregava desde o nascimento. Seria má concebida? Não seria desejada pelos seus pais no ato da concepção? Algo estranho se passava em seu interior. Entretanto, o sol, algumas vezes, brilha quando a gente menos espera.

 Lembrou o filósofo alemão Shopenhauer que em suas conclusões ora deprimia,ora incentivava: “Ultrapassar obstáculos é o prazer pleno da existência. Sejam eles de tipo material, como nas ações e nos exercícios, sejam de tipo espiritual, como nos estudos e nas investigações. A luta contra as adversidades e a vitória tornam o homem feliz. Se lhe faltar a oportunidade, irá criá-la como puder”. Três meses depois,sentada e sitiada numa livraria em Lisboa, Portugal, viu seu desejo realizar-se. Sentiu a importância do idioma português.E também da sua obra. O editor queria mais. “Escreva, escreva muito. Você tem talento. Seu lugar ao sol está reservado”. Ela olhou a fila dos leitores no Shopping das Amoreiras, baixou a cabeça e autografou. Muitos livros. Até a exaustão.

 

 

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