Sexta-feira, 24 de NOVEMBRO de 2017

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

opinião

Gafes suburbanas

Publicada em 20/10/2017 às 08h51| Atualizada em 22/10/2017 às 09h15

Cristina Castanhera morava no subúrbio. Apesar de seu nome sofisticado. Sua vida era simples. Nela, forte desejo de ser bem sucedida. Mas o dia do sucesso, nunca chegava. Seu principal hobbie, era a loteria. Participava de tudo que é concurso. Desde a mega-sena até joguinhos e rifas inventados na comunidade. Sempre perdia. Nunca ganhou. Sonhava frequentemente com o número “7”. Segundo ela, cabalístico. Mas os bilhetes que comprava com este final, eram sempre os que perdiam.

Precisava de dinheiro. Sempre precisava. Estava desempregada. Tinha atrasado o pagamento na loja de eletrodomésticos. No último Natal comprou uma máquina de lavar roupas. Agora, sem muita alternativa financeira, foi até à  lotérica jogar e tentar reverter a sorte. Apostou no bolão. Que estava acumulado. Eram milhões de reais. Jogou e sonhou. Mas no sábado, conferindo o resultado, viu que mais  uma vez, a sorte não lhe sorriu.

Chega em casa. Seu celular tilinta. Celular antigo, comprado com muito suor. Ele não tinha nem internet. Mas servia para fotografar, receber e fazer ligações. Inesperadamente, uma mensagem avisava que ela havia ganho um prêmio. Uma estada de final de semana num Spa de luxo. A ligação veio de surpresa. Abalou sua estrutura. Que já estava acostumada à perdas e danos. Ela havia juntado uns rótulos de sabão em pó e acabou ganhando a promoção. Que a conhecida marca proporcionava aos seus usuários.

O belíssimo Spa situava-se na serra catarinense. O prêmio ganho conferiu a ela, passagens de ida e volta, além da hospedagem. Sentiu-se realizada. Uma princesa. Boquiaberta deslocou-se até o Hotel, que só mantinha hóspedes VIPS. Da primeira impressão, um deslumbramento. Na recepção, moças educadas e um mensageiro que carregou sua única mala e a levou até seu apartamento. Uma cobertura lateral, que lhe dava boa visão das piscinas. Novo deslumbramento. Ao enxergar aquela água azul da piscina e casais bronzeados e alegres, deliciando-se naquele dia de sol.

Não acostumada às benesses humanas que o dinheiro proporciona começou a cometer inúmeras gafes. A primeira foi quando ligou para a recepção pedindo água para o frigobar. O atendente sugeriu que ela bebesse direto da torneira. “Encha esta jarrinha acima do frigobar com água da torneira”, sugeriu. Ela achou meio desaforo. Até que compreendeu que o Spa era todo abastecido com água mineral da Região montanhosa. Bastava coletar a água mineral que saía das torneiras e colocar no frigobar para gelar.

Hora do jantar. Garçon e Maitre educadíssimos lhe deram mais que atenção. Sugeriram pratos. Ela não sabia nem como usar os talheres da sofisticada refeição. Um prato de peixe, da culinária caribenha, deveria ser saboreado. Mas ela acabou desistindo do jantar por sentir seu desajuste. Nem na sobremesa tocou. Por não entender a mistura de doce com frutas e nem o nome  escrito no “Menu”. De volta à sua humildade, ligou para a Copa e pediu um cachorro-quente bem acebolado e um refrigerante.

No último dia da estada resolveu tomar um banho na banheira de hidromassagem da Suíte. Foi mais que delicioso. Adorou os jatos de água fazendo pressão na sola de seus pés e nas costas. Saíu do banho revigorada. Mas tinha que computar mais uma gafe.

Notou que as toalhas colocadas no banheiro secavam rapidamente. Mesmo bem molhadas,depois do banho. Colocou a mão na haste de aço na qual as toalhas estavam penduradas e notou que estava muito quente.Como um ferro de passar roupa. Pensou que estivesse dando um curto circuito.Ligou para a recepção e pediu para um técnico verificar. Só, depois entendeu que se tratava de mais um serviço de eficiência para os ricos e poderosos hóspedes do Spa. Voltou para o subúrbio com várias certezas. Uma delas, é que o glamour existe. Agora, conhecia em parte, a estória dele.

 

 

Últimas Ana D Ávila

Paginas: [1] 2 Próxima »
Administrativo/comercial
51 3046-6114 - Ramal: 200
Redação
51 3046-6114 - Ramal: 202

redacao@diariodeviamao.com.br

Vinicius Ferrari - repórter
Guilherme Klamt - repórter/imagens
Silvestre Silva Santos - editor/economia
Maiara Tierling - administrativo/comercial
Rosângela Ilha - diretora
Roberto Gomes - diretor
Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS