Quarta-feira, 20 de JUNHO de 2018

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opinião

A senhora da lotação

Publicada em 30/03/2018 às 00h03

A lotação seguia para o centro. No seu interior, poucos passageiros. Sentei próxima à janela bem na frente. Na metade do caminho entra uma senhora. De óculos e uma bolsa bem maior do que, talvez, sua própria figura. Era uma mulher pequena. Sentou-se ao meu lado. Eu falante, neste dia, estava calada. Dia de reflexões. Mas ela puxou conversa. Na primeira tentativa de conversar, desconsiderei. Mas ela insistiu. Resolvi ouvi-la.

“Nasci em São Borja, terra do Jango. Casei cedo, aos 16 anos. Depois eu e meu marido mudamos para Porto Alegre. Onde resido a muitos anos. Tenho 73 anos. Sou viúva. Meu marido morreu de ataque cardíaco. Éramos casados a 47 anos. Ele era uma pessoa muito boa. Ajudava todo mundo”. Até aí uma estória normal. De alguém normal. Mas ela mostrou certos conhecimentos.

Falou que era professora e que lastimava o estado em que a educação chegou em nosso País.”Sou a favor da escola de turno integral. Lugar de criança é na escola”,concluiu, (também penso desta maneira.) Aposentada, ela dedicava seu tempo à leitura. Quando na ativa, lecionava História e Geografia. Sempre lia e gostava de fatos do passado. ”Para entender o presente é necessário conhecer o passado”, frisou.

Perguntei a ela, o que estava lendo no momento. “História, disse. Sempre História”. Falou que estava achando muito interessante, a história da Roma antiga. E do Imperador Nero. Ele era homossexual e considerado uma pessoa insana. Neste ponto, a lotação vinda da zona sul, passa pela Usina do Gasômetro.

Com um sorriso de escárnio, a senhora da lotação, muda de assunto: ”Violência no Rio de Janeiro”. Sussurrou: “Sabe que o Governador Brizola proíbia a polícia de subir aos morros para prender traficantes.”  Se o fato era real, não sei. A senhora da lotação parecia idônea. Aparentava ser séria. Por que inventaria esta história? Envolvendo a figura de Leonel Brizola, um incentivador da educação no País. Ela que era professora. Eu nunca tinha ouvido falar nada à respeito. Fiquei atônita.

A senhora estava indo ao Centro visitar sua única irmã, que mora na Riachuelo. E outra vez, foi debulhando fatos da vida pessoal: “Minha irmã nunca casou, tem 71 anos. Acho que meu pai foi muito rígido com a gente. Não podíamos naquela época, namorar. Como ele dizia, “nos dar o desfrute”. Eu discordei de meu pai. Casei cedo, mas minha irmã não”.

A lotação chega finalmente ao centro. A senhora desce. Caminha devagar e entra no Mercado Público. Não perguntei seu nome. Nem o que  compraria no Mercado Público. Seja lá como for, fez o trajeto bairro-centro ficar mais leve. Num dia em que eu, nem estava com vontade conversar. Ouvir faz muito bem. Principalmente, para quem escreve. O mundo está cheio de histórias. De pessoas, notadamente.

 

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