Segunda, 16 de JULHO de 2018

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opinião

A praia e o velho

Publicada em 04/05/2018 às 08h53

Na década de 60 Hemingway escreveu um livro contando a saga de um velho. O tema foi a experiência do personagem com o mar e a pescaria. Escrevo agora e, quase parafraseando, com todo respeito e pretensão Ernest Hemingway, sobre um outro velho, cidadão dos pampas gaúchos, destemido, aventureiro, realista e, que resolveu viver próximo ao mar depois dos 80 anos de idade. Todos nós envelhecemos. É inevitável. Alguns tem o privilégio de escolher o lugar mais adequado para viver estas transformações. O tempo passa rápido. Seu Mário, personagem desta crônica, escolheu o mar para viver e envelhecer. Livre dos aparentes problemas da cidade grande. Com mala e cuia deixou Porto Alegre. Transferindo-se definitivamente, para um lugar bem pequeno na orla do Rio Grande do Sul. Dentro do âmago de seu Mário, vivia um outrora cidadão ateu. Mas agora, junto às marés azuis e as estrelas, entendeu finalmente Deus. Sentia a profundidade da vida na imensa solidão da areia e do nascer do sol. Já não era mais o mesmo, desde que se mudou para o mar. O vilarejo era pequeno. Imediatamente dispensou seu automóvel, preferindo longas caminhadas de reflexões à cheiro de gasolina. Conversar com pescadores e gente humilde, do que com catedráticos mestres de Universidades. Optou pelo simples e pelo natural. Não estava arrependido de ter trocado o barulho pelo silêncio. Nem as altas conjecturas intelectuais por uma vara de pescaria. Seu Mário abandonara também o hábito de comer carne e enlatados. Preferia legumes, frutas e fibras. Sua pele estava se adaptando à nova alimentação. A cada dia se sentia revigorado. Os cabelos brancos, agora brilhavam com o sal e o sol marítimo. A pele já bem bronzeada, fazia dele uma figura exótica. Na verdade, ele era. Depois de compreender o mistério da criação. De sentir a criação de Deus lhe veio a mente, pintar. Foi ao município mais próximo e comprou telas, tintas e pincéis.Voltou para casa com muitas ideias na cabeca. A principal delas era pintar “marinas”. Uma experiência que enchia seus dias de prazer. Eram telas bem coloridas com a temática do mar. Peixes, ondas, sóis, luas, estrelas e nenhuma pessoa. Averso a multidões, transferia também para suas telas esta negação. ”As pessoas desta humanidade, não me interessam”, frisava ele. E pela praia foi ficando: pintando e vivendo, o que a vida ainda reservava para ele. Uma velhice tranquila. Livre de cárceres de relacionamentos. E livre principalmente das amarras, que enlaçam as mentes criativas.

 

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