Segunda, 15 de OUTUBRO de 2018

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opinião

Maria, da ficção

Publicada em 18/05/2018 às 09h06| Atualizada em 21/05/2018 às 14h06

Aquele sulco desenhado em seu rosto era a vida vivida. Não queria negá-la, nem esquecê-la. Mas as mulheres em geral, se incomodam com a passagem do tempo. Pintam os cabelos, como se colocar uma cor em cima dos grisalhos, apagasse a idade adquirida. Não é bem assim. Há de se buscar beleza nestas transformações.

Maria era diferente. Outrora hippie. Envelhecia com estilo. Talvez com inteligência. Como faz Elisabeth II, a Rainha da Inglaterra, que acha vulgar pintar os cabelos para esconder a idade. Não era descrente. Acreditava na vida. Na força superior que rege a energia da natureza. À qual explode em vibrações e luzes à cada estação.

Sem saber quase nada da praticidade da existência, concluiu seus estudos. Parcos estudos sem orientações e sem interferência de muitos livros. Sem um rumo certo. Assim como barco ao sabor do vento. Nua e crua adentrou ao mundo cotidiano, profissional, sexual e lúdico. Acreditava num relacionamento sério, compensador e responsável. Ledo engano. Só sentiu desilusões. O compensador, não compensava. E o sexo, nunca existiu. Tão pouco a responsabilidade.

A não ser em cenas ridículas, patéticas e absurdas. Como aquela língua, que igual à uma serpente, colocava nela um veneno fétido. A perda da virgindade com aquele senhor de cabelos sujos a enojou. A cabeça dele cheirava a peixe. Era repugnante. Naquela  época a atriz Maria Schneider e o ator Marlon Brando faziam sucesso com o célebre filme “O Último Tango em Paris”. Talvez, ela a Maria, se espelhasse na Maria da ficção. E desejasse fazer amor no chão, desprovida de cama e conforto. Como acontecia nas cenas do filme com a Maria atriz. Na vida real  só houve decepção.

Mas por quê se sujeitava à isto? Repressão, incompreensão da vida? Aceitação de migalhas? Por longo tempo foi assim: desistência de suas necessidades em função do outro. O outro, que nasceu esquizofrênico. E que continuava pela vida, fazendo estragos nas pessoas. A convivência sem amor  não vinga. O parceiro escolhido, era doentio. Assim sem pensar, lhe tirou a inocência estética, a virgindade e, toda energia do bem que havia nela. Lhe deu algumas compensações intelectuais. Que serviram apenas para perturbar do que enriquecer seu intelecto.

Maria sofria. Dores existenciais. Dores da alma. Não físicas. Por ter fé em Deus, jamais deixou de ser feliz. Sua própria vida, as lembranças do pai e sua criatividade profissional lhe davam razões de sobra para continuar alegre e feliz. Seu cárcere não era político. Era como se ela tivesse uma corda pendurada em si, de cabeça para baixo.Estava quase enforcada,mas não desistia de viver. No país imperava o período da ditadura militar. Mas esta época não a afetava politicamente. Ela não era partidária. Não atacava ninguém. Trabalhava com afinco. O que poderia temer? 

Aos setenta anos, olhava para trás e via um caminho vazio. Que foi se complicando ainda mais com o passar dos anos. Quanto mais pensava na sua amarra, mais enredada ficava. Olhou para o céu. A noite estava bem estrelada e a lua cheia. Pensou na sua pequenez. E decidiu assumir seu erro. De ter feito uma opção de relacionamento errada. Haveria tempo para corrigi-la? Neste momento, não sabia. Mas vivia.

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Tainá Rios

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