Terça-feira, 25 de SETEMBRO de 2018

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opinião

Inverno gaúcho

Publicada em 29/06/2018 às 10h07| Atualizada em 05/07/2018 às 15h40

Só quem nasceu no Rio Grande do Sul conhece a palavra “encarangar”. Se não, sugiro uma viagem para Canela, na Serra, no mês de julho. Entenderás! Encarangar é tremer de frio até a exaustão. Quando o frio penetra na pele, vai até aos ossos e dá a sensação que te possuiu literalmente.

Mas é bom morar no sul. É salutar estas estações alternadas: primavera, verão, outono e inverno. Parece que estamos na Europa. Fato, que os habitantes do norte brasileiro não conhecem. E se encantam quando visitam o solo gaúcho.

Certa feita, num inverno destes, fui à Caxias do Sul, a trabalho. Estava frio. O céu nublado. As pessoas “encapotadas” (outro dizer gauchesco). Isto é, cheias de casacões, chapéus, botas e cachecóis. A tarde transcorria lenta. De repente o céu ficou mais escuro. Parecia que choveria. Olhei para cima. E para o relógio: 16 horas. E maravilhada, conheci a neve. Que branqueou tudo e todos até a noite.

Caía em floquinhos na zona central da cidade. Eu estava caminhando pela Praça Dante Alighieri. Vi as pequeníssimas bolinhas de neve, semelhantes à pedacinhos de algodão voando e encantando. Aquilo trouxe alegria às pessoas. Engraçado é que não era como eu pensava. Muito gelada. Era gelo, mas um gelo educado.Já viajei para fora do Brasil. Nunca em período de neve. O fato de Caxias do Sul me agradou. Foi meu batismo de neve em pleno solo de meu nascer.

Hoje, por conta das alterações climáticas, os invernos gaúchos se modificaram. Mas a tônica ainda é o frio e a neve. Gosto de todas as estações, mas o inverno tem um sabor especial. É como uma comida bem temperada. A culinária se torna quente, a paisagem digna de fotos e as pessoas mais solidárias. Note-se as campanhas que arrecadam roupas e mantimentos para os necessitados.

A cerração, portal dos Deuses, é outro fenômeno que caminha lado a lado, com os habitantes do sul. É lindo abrir a janela pela manhã e ver aquele manto branco engolindo toda a paisagem. Até os morros de Porto Alegre. Até o mar de Capão da Canoa. Até os campos de Viamão.

 Mas a névoa também é assustadora. Esconde o mar. Esconde a areia da praia. Parece que adentramos num mundo misterioso. E que a qualquer momento, nos depararemos com seres desconhecidos. Molha tanto como a chuva e demora a se dissipar. Enfim, depois... sopões, pinhões e vinhos. Afinal somos gaúchos. E por aqui, é assim.

 

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