Quinta-feira, 16 de AGOSTO de 2018

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opinião

O anarquista

Publicada em 10/08/2018 às 15h56

Apaixonado pelo escritor italiano Malatesta lá estava ele sentado à beira mar. Seu nome era Yúlian Antonello. Sua descendência, italiana. Residia em Buenos Aires. E seu jeito de pensar a vida era baseado na filosofia política do anarquismo. Bebendo cerveja artesanal e estirado numa cadeira de praia ele fitava o mar. Seus olhos pareciam transpor a própria paisagem. A praia onde descansava e, onde parecia estar feliz, era estilo anos 50.

“Sou anarquista porque vejo a injustiça campeando no mundo. A maioria dos governos são despóticos. No mundo ocidental impera o capitalismo. Ao meu ver, um dos maiores males da humanidade”. Na sua pregação afirmava que dos sete bilhões de seres humanos que atualmente vivem no Planeta, metade são praticamente dispensáveis. Vidas desperdiçadas, segundo o sociólogo polonês Zigmund Baumma.

Yúlian aparentava uns sessenta anos. Seu rosto, um pouquinho mais. Apresentava rugas profundas. Adquiridas talvez, pela aflição e inquietação de sua vida pensante e intelectual. O anarquismo que almejo - continuava ele - reuniria pessoas em comunidades com total liberdade. Porque o maior atentado contra um ser humano é faze-lo escravo de outro homem. Todo mundo deveria trabalhar por conta própria e, seguindo suas aptidões.

No mundo de hoje já existem países caminhando nesta direção. São os escandinavos, Noruega, Dinamarca e Islândia. Para o anarquista, o carnaval brasileiro e até o Italiano é motivo de alienação. O futebol também está neste contexto. Nada mais é do que uma guerra moderna entre nações. Só que em forma camuflada. Em nome do esporte.

Um dos maiores erros da atual humanidade, frisa o anarquista, é dividir o planeta terra em países. “Todos somos seres terráqueos e portanto, não devemos viver com fronteiras”. ”O anarquismo não admite também, o casamento na forma tradicional que o conhecemos”. E concluiu: “Nenhum homem ou mulher pode ser dominado pelo sexo oposto. No futuro, homens e mulheres viverão suas vidas separadas”.

Utópico e lunático, afirma que o sexo é animal. E que no futuro (pasmem) “não haverá sexo”. A procriação provavelmente será em laboratórios. Com seres geneticamente perfeitos. Sem doenças e sem desvios psicológicos. Dentro da teoria de Freud, da sublimação.

O corpo humano, já se sabe, tem previsão de duração de 150 anos. Com isto, a humanidade diminuirá em números e aumentará em qualidade. A espiritualidade será uma constante. Nesta sociedade ideal, vista pelos olhos do anarquista, a felicidade virá pela conquista do espírito.

Neste momento, com a maré na praia subindo, uma onda de espumas cruza seus pés. Cita o filósofo norueguês, criador da ecologia profunda, Arne Naess. ”Os homens não dominarão a natureza. Simplesmente usufruirão dela, para a felicidade de todos”. Abominando definitivamente o capitalismo, Yúlian é taxativo: “os míseros salários impedem o desenvolvimento material e social dos seres humanos”. Bebendo o último gole de cerveja e observando o infinito, ele profetiza: ”O mundo é belo. Não devemos destruí-lo. E sim, humaniza-lo”.

 

 
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