Terça-feira, 11 de DEZEMBRO de 2018

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opinião

A desaparecida

Publicada em 05/10/2018 às 10h15| Atualizada em 09/10/2018 às 18h25

Foi  assim, sem mais nem menos, que  ela desapareceu. Carioca da gema, poetisa, escritora e entrevistadora. Sumiu. Não houve jeito de localizá-la. Nem fazendo uma “live” no Facebook, nem ligando para o seu celular. Nem postando uma foto chorosa no Instargam anexando um emotion de florzinha. Ela sumiu.

Tão bonitinha, tão intelectual, tão desacato, tão moderninha, tão drogadita de sonhos e pulsações humanas. Se foi. Viajada, amada, cheia de méritos na vida. E amigos importantes da classe cultural. Amava, como eu, a literatura. Mas depois de Jorge Amado, Clarice Lispector e do poeta Paulo Leminski, que outro ser-literatura encabeçaria o primeiro time de escritores brasileiros? Seria ela? Ah...nossa Língua Portuguesa! Ah...nossos escritores!

Mas o fato é que a desaparecida não se manifestava. Seu último “post” na rede social noticiava sua participação numa palestra em Santa Catarina. Teria  ido à Joaquina? Depois de intercambiar com as mentes literatas catarinenses.Sei não!  Ela era instigante, estilosa e imprevista. Quem sabe teria caído na praia. Se afogado no verde mar de Florianópolis? Ou teria abandonado definitivamente a rede, na qual todo ser humano hodierno,se enreda. A rede social.

Sua página oficial ampliava-se agora, com dezenas de perfis falsos. Será que a página verdadeira foi invadida por algum “hacker”? Suas fotos estavam lá, mas não era ela, a postante. Seus vídeos com voz bem pausada e português correto sumiram. Seu sotaque entrecortado de chiados cariocas não foram mais ouvidos. Nem suas inquietações. Algumas fotos também desapareceram. Com homens bonitos e mulheres interessantes em saraus e festas. Onde estaria ?

O “post” mais significativo foi de uma receita de remédio. Numa cópia enorme. E nos diálogos escritos,onde ela afirmava sofrer de asma e doenças pulmonares desde criança. A bula do remédio também era descomunal. E segundo sua médica, era o remédio certo. Pois aliviava suas dores físicas. No lançamento de seus livros, algumas vezes, amigos recebiam também um desenho. Do próprio punho. Gostava de literatura e também de desenhar.

Doce garota carioca, que Deus sempre te proteja. Desaparecida ou redescoberta, que reapareças. E que, Santa Teresinha, sua santa protetora, te guarde e te console. Seja qual for o motivo do teu desaparecimento. Neste período tão violento da vida brasileira. E onde pessoas sensíveis fazem tanta falta.

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