Quarta-feira, 14 de NOVEMBRO de 2018

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coluna da ana

Amigas sofisticadas

Publicada em 19/10/2018 às 10h12| Atualizada em 29/10/2018 às 10h24

Nascida em berço de ouro ela tinha hábitos sofisticados. Volta e meia reunia-se para um chá com um seleto grupo de amigas. O local escolhido era sempre o mesmo: Salão Amarelo do hotel mais famoso da cidade. Ali garçons à disposição e um maitre impecável. Além de chás e cafés de várias partes do mundo, o piano, ao fundo da sala, dava um ar aristocrático ao ambiente que recebia a fina flor da sociedade local. Nas mesas, louças de porcelana, talheres de prata e guardanapos confeccionados com estilo. 

Pela porta em arcos entravam as convidadas. Com hora rigorosamente acertada elas iam chegando. Deixavam seus casacos e as bolsas maiores guardados na chapelaria do Hotel. E, iam adentrando paralelo a um aromático perfume no ar. Só usavam aromas franceses. Às vezes, algum perfumista espanhol ou italiano faziam parte de suas predileções. Balenciaga era um deles. E “Rumba” era muito citado entre elas. Uma fragancia bem forte.

A amiga anfitriã havia casado duas vezes. O primeiro casamento sobrou em meio ao desgaste do amor e de uma crise financeira insustentável. Depois num vôo de turismo por Ibiza, na Espanha, conheceu seu atual marido. Ela dividia a conversa, dizendo às amigas que estava apaixonada. Ele era investidor financeiro e tinha uma vida tranquila. A sua agenda profissional era sempre concorrida. Tinha vários imóveis no Brasil e na Argentina. Dizia que amor com caviar e champanhe tem sempre o melhor gosto.

O que chamava a atenção nessas tardes de chá era o relato e narrativas das viagens que faziam. Uma delas tinha apartamento em Miami. Certa feita, após um furacão foi forçada a deixar a cidade e se refugiar em Tampa. Ficando bastante traumatizada com aquele evento climático em fúria. A outra amiga, contou que estava em Nova Iorque, naquele fatídico 11 de setembro. E que viu as torres gêmeas desmoronarem. Interrompeu a estada e voltou ao Brasil.

Neste instante, surge no meio do Salão, um garçom trazendo o carrinho das sobremesas. Doces de culinária vip entrecortado por salgados bem apurados. O garçom pára junto à mesa das clientes. Anota os pedidos. A maioria delas evitou os doces. Não resistindo, porém a uma torta de nozes, com aparência deliciosa.

Num canto do Salão, numa mesa alternativa, mas também sofisticada, uma poetisa olha para o grupo. Ela não é rica. Ela é pensadora. Pensa na fome do mundo. Pensa nas mulheres que esbanjam dinheiro. Pega um guardanapo e como Simone de Beauvoir, escreve um poema. Sobre a diversidade das classes sociais. Todos são humanos e devem gostar da riqueza. ”Mas que não haja desperdício”, escreveu ela numa frase.

Assim, pontualmente às seis da tarde, a entourage das amigas sofisticadas foi pouco a pouco se afastando do local. Na rua o ar quente da tarde primaveril era sufocante. Em casa, talvez a família a esperasse com um brinde de champanhe. E, na casa da poetisa haveria o incentivo para o lançamento de um livro. Que falasse das lutas de classes, das mazelas humanas, da riqueza e das utopias.

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