Terça-feira, 11 de DEZEMBRO de 2018

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coluna da ana

A professora vermelha

Publicada em 30/11/2018 às 09h52| Atualizada em 30/11/2018 às 16h13

Ela não estava com alergia por ter comido camarão em demasia. Nem era colorada. Nem ruborizava de vergonha. Era até extrovertida. Apaixonada por Karl Marx mantinha outrossim uma paixão descontrolada pelas ideias libertárias de Simon Bolívar.  Esta influência ela transmitia conscientemente aos seus alunos em suas aulas oficiais na escola. Acreditava piamente que o capitalismo produzia opressão.

Contratada agora como professora particular para uma nova aluna que precisava de reforço escolar conheceu o contraditório. A nova aluna sem entender muito estava sendo catequisada pela mestra que queria a independência total da América do Sul.

Os pais da aluna a criaram dentro do padrão capitalista americano. Davam vivas também à social democracia européia. E costumavam passar férias no circuito Nova Iorque/Berlim. Enquanto o sonho parodoxal da professora era visitar La Paz, conhecer a Bolívia, Venezuela, Cuba e a Colômbia. A aluna colecionava amigos virtuais em sua página no Facebook que eram decantadamente apreciadores do Trump. Já a mestra, em contrapartida, era uma convicta enamorada do Fidel e da família Castro.

Já na primeira aula, a professora recomendou uma pesquisa: “Tens que ler o ‘18 de Brumário’ e me trazer uma dissertação sobre a obra”. A garota desconhecia por completo os livros que falavam de “lupens”,“sociedade das minorias” e outros temas relacionados. Mas a professora conhecia muito bem. O 18 de Brumário, escrito entre dezembro de 1851 e março de 1852 , publicado originalmente na revista Die Revolution, parte da análise concreta dos acontecimentos revolucionários na França, entre 1848 e 1851, que levaram ao golpe de estado pelo qual Napoleão II se nomeou imperador.

Nesse trabalho, são desenvolvidas as teses fundamentais do materialismo histórico: a teoria da luta de classes e da revolução proletária, a doutrina do Estado e da ditadura do proletariado.

Numa segunda aula foi além: “Agora tens que conhecer Friedrich Engels”. E de catequese em catequese, já quase acatando que as populações marginalizadas dominarão as sociedades futuras a aluna chegou a uma conclusão: “a professora não pensa como eu, nem como meus pais. Que são conservadores”.

Mesmo assim, aprendeu que a democracia é o jogo dos contrários. Conhecendo outras vertentes de pensamento. E os movimentos políticos dos países das Américas e da Europa. Tão diferentes e tão utópicos. Entendendo finalmente que a professora queria passar para ela ideias que não combinavam com sua vida.

Desistiu daquelas aulas. Já tinha reforço escolar suficiente para seguir seus estudos. Um dia de sol cruzou com a professora no aeroporto da cidade. A aluna usava uma camiseta com a águia americana estampada e seguia para Nova Iorque. A professora por sua vez, passaria alguns meses em Cuba. Balançou a cabeça para ela e disse: “Adiós muchachita. E viva Havana. La mia Havanita”. Neste voo foi dialogando com um conterraneo médico cubano que enaltecia o caráter solidário do projeto “Mais Médicos”. E, agora voltava para sua terra.”O Brasil é um país lindo. Mas Cuba mora em meu coração”, concluiu.


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