Domingo, 15 de DEZEMBRO de 2019

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coluna da ana

Certezas, incertezas e moralidade

Publicada em 18/01/2019 às 12h47| Atualizada em 18/01/2019 às 14h23

Aquele senhor de idonea moral era uma blefe. Estudou no melhor colégio. Sua família, de pais conservadores, seguia dogmas, regras e etiquetas, mas a vida e a moral deles deixava muito a desejar. A irmã mais nova não era tão pudica como aparentava ser, o noivo pulava a janela e se relacionava intimamente com ela, desde os tempos do namoro oficial. Aquela aliança do noivado era a testemunha do prazer dos lençóis. Ela casaria virgem, diziam em contrapartrida, seus parentes. Era uma donzela imaculada.

O pai fingia autoridade e respeito. Aos sábados, após o almoço com a família, se retirava  para uma caminhada. Falava que estimularia a digestão. Santa digestão! Em verdade, dirigia-se à casa da amante. Tinha duas famílias. A autorizada pela sociedade e a outra, livre e alternativa. Fingia uma respeitabilidade que não possuía. Manteve esta falsa moral por longos e mentirosos anos. Fazendo todos pensarem que sua conduta era irrepreensível. Isto jamais existiu.

Hoje, o mundo e as famílias se desvencilharam de amarras que perturbavam os relacionamentos. O homem é animal. Não existe condições para a eterna união, salvo raríssimas exceções. O cio e o cheiro de sexo derruba conceitos. Para a virgindade que recompensa a moral. Para muitos, liberdade é isto: viver sem regras. Escancaradamete. Certezas, correm riscos de uma grande farsa. Viver sem hipocrisias é se reconhecer como animal, se é para fingir moralidade, não deveria existir promessas de "para sempre".

Eugênio, o chefe daquela família, passava dos 50 anos de idade. Os filhos já estavam casados. Exceto o menor, que era gay assumido. E cujo pai, jamais entendeu esta opção. Achava que como pensava Hitler, era uma aberração da natureza. Que o homossexualismo era uma doença. Mas ele era só um ser humano. Com uma disfunção genética. Movido por outros valores ele abominava as famílias tradicionais. As fingidas. As  sem cultura. As sem educação. Presas em supostas moralidades.

A certeza que o filho tinha,  era de que necessitava ser feliz. O que fazia em sua cama não tinha importância. Importante era o que sentia. Aos 17 anos apaixonou-se por uma menina na escola e decepcionou-se. Descobriu que ela era tão falsa quanto o patrono de sua família. Depois aos 20 anos conheceu o Téo. Por ele se encantou. Permaneceram juntos e felizes por 30 anos. Foi um relacionamento de amor verdadeiro.

Não foi preciso jurar nada para ninguém. Apenas amaram. Téo morreu aos 52 anos de ataque cardíaco. Mas entre eles, jamais houve hipocrisia. Nenhuma mentira. Como a lembrança da falsidade de seu pai, que aos sábados participava daqueles encontros clandestinos. Ofendendo sua mãe e magoando sua família. "Ser moral é acreditar no amor", dizia ele. No mais, incertezas e certezas passionais. O verdadeiro ser humano, vive. E não finge nada. Não se esconde em tabús. Não traí.

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