Sabado, 24 de AGOSTO de 2019

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coluna da ana

A fuga

Publicada em 21/06/2019 às 08h58| Atualizada em 23/06/2019 às 23h57

Viver daquele jeito era desgastante. Até que ela encontrou a fórmula. Fugir. Os pensamentos fluiam na cabeça de Beatriz. Amargava um casamento sofrido.Sua alegria inata já estava se transformando em agonia. Agonia por ter feito escolha errada. Agonia porque não conseguia resolver seu malogrado relacionamento.

As amigas, a maioria colegas da Faculdade, eram mais dinâmicas,jovens e resolvidas. Duas delas já estavam no segundo e terceiro casamentos. "Escolha errada, mudou"! Era o lema delas. Já Beatriz, a mais velha, se prendia. Não tinha coragem de romper com o estabelecido. Casará virgem e tinha toda aquela  conduta antiga. De um único homem para a vida toda.

Sofria muita humilhação, mas para ela, desistir do casamento era como fracassar. A amargura de um relacionamento infrutífero fez dela uma mulher amarga. Nas tardes de café com as amigas nem tocava no seu problema. Ao contrário delas, que explicitavam a felicidade conjugal. Beatriz entretanto, ficava sempre na defensiva. Parecia ter feito um pacto de silêncio com sua infelicidade.

O marido era um homem cheio de problemas. Existenciais, humanos e quiçá extra-planeta-terra.Os principais eram: bebida,pobreza,antigos relacionamentos e confusão intelectual. Caso bem típico para um internamento psiquiátrico. Seus filhos, espalhados pelo mundo, eram parte do seu eu- caótico.Mas se tinha uma coisa que o engrandecia, era sua capacidade de "reprodutor". Entre as mulheres, computava já sete filhos.

Um dia,depois de um temporal de verão, Beatriz simulou a fuga. Queria desaparecer dos olhos daquele ser endiabrado que era seu marido. E também esquecer todo aquele cerimonial doméstico a que se submetia. Depois que deixou a Faculdade de Filosofia,se transformu na própria, "rainha do lar".Comportada,servil e sofredora.Porque seu marido era do tipo que abandonava a mesa, caso o jantar não estivesse a seu gosto.

Beatriz ia enojando daquilo tudo. A estupidez do marido se acentuava a cada dia abalando a sua relação. Era um homem "analógico". E ela, à muito já estava na era digital.Foi assim de repente, que ela tramou a saída e a fuga.

Num breve instante suspirou aliviada. Abandonou a cozinha e deu uma rasante em sua vida afetiva.Se redescobriu filósofa. Agora tinha em mente voltar aos bancos universitários para concluir o curso interrompido.Por sete anos esteve afastada de sua verdadeira vocação.

No casamento, não havia nenhum entrosamento. Nem emocional, sexual ou financeiro. Tão pouco nenhuma troca de amor. Ousou pedir divórcio. Depois comemorou com as amigas a nova identidade.Para elas, finalmente abriu sua caixa preta e, contou em detalhes a verdade sobre sua vida.

Escolhas erradas abalam vidas. Agora com auto-estima nas alturas quer mais é se reinventar. As amigas naquela mesa, trocaram o café por várias taças de champanhe. Segundo Beatriz, "o melhor e mais gostoso dos brindes".

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