Sexta-feira, 15 de NOVEMBRO de 2019

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coluna da ana

Terceira idade

Publicada em 28/06/2019 às 15h13

Aquelas manhãs de sábado eram sempre iguais. Levantar com cautela.Pois as tonturas, às vezes,acontecem. Seguir lentamente para o café sem esperar grandes novidades para o dia. Ele estava com 85 anos e amargava pequenas doenças que o limitavam.Não estava tão certo de ter vivido uma vida excelente. Sete filhos, seis netos, duas esposas, vários textos escritos em jornais e revistas e a dedicação à leitura sempre. 

Mesmo com o vibrante acesso à livros e à intelectualidade, a senilidade estava chegando. Talvez, entrando por frestas que o deixavam sensível e algumas vezes,  até com atos infantis.Alguns dias eram calmos, dentro da sua mesmice.Outros eram caóticos, perturbados e insuportáveis.Sua mente parecia ter a cada dia, oscilações.

De suas tias,pais e avôs herdou um refinado gosto culinário. Não era qualquer prato que o agradava. Adorava comida italiana, embora sua origem, fosse portuguesa. Nasceu em Porto Alegre, na rua Duque de Caxias. E cresceu por ali, deliciando-se com a padaria de seu avô. Que era português da cidade de Santo Tirso, ao norte .Seu avô era detentor do segredo de um pão insuperável.Que o velho manteve a fórmula escondida até ao fim de sua vida.

Mas a "Terceira Idade" é quase sempre dolorosa.Surge o declínio físico e as doenças.Os olhos e os músculos enfraquecem. Há que se ter cuidado ao caminhar. Os tombos são sempre ameaças. Nosso personagem da Crônica de hoje, é ateu. O que de certa forma, o perturba muito. Sem fé em Deus fica muito difícil resolver qualquer problema humano.

Os sábados eram mais tristes. Não havia tanta inquietação e movimentação em sua cidade. Parecia que tudo silenciava.Depois do café,onde não dispensava uma banana.Segundo ele, a fruta fortalecia os músculos. Sentava em sua poltrona e lia. Lia muito. Não havia muita coisa a fazer. Adorava leitura histórica, biografias e ficção clássica.Deixava de lado, a poesia e livros para entreter.Queria sempre aprender. E sua leitura era seleta. Sua biblioteca também.

Não gostava de envelhecer no Brasil. Onde o velho representa  um declínio, uma invisibilidade.Aqui, com raras exceções, as aposentadorias são boas. Os remédios e a saúde  são caros. E os velhos passam a ser artigos descartáveis da sociedade. Todo dia, este assunto vinha a tona. Todas as vêzes, era sofrido. 

Temas como a chegada da morte e as doenças eram a tônica. Difícil não se deprimir.Embora fosse a realidade que chegaria para todo ser humano. Em países como a Suécia,Noruega e Dinamarca os velhos são muito respeitados. São ouvidos. Recebem do Governo um aparato de benefícios.Pois os intelectuais tem apoio para imprimir livros. Transforma-se em alguém que é digno de ser ouvido.

Sentado pensando na vida indago:"Para onde irás depois da morte?"Responde ele: "Para outra dimensão. Por certo bem melhor". Ficava ali lendo, se alimentando, pensando na morte,no futuro. Enquanto pigarreava no estranho clima acalorado de junho em Porto Alegre.Frisava que a velhice no Brasil é sacrifício. Equanto nos países escandinavos os velhos são oficialmente reconhecidos.(Ana D´Avila)

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