Quarta-feira, 13 de NOVEMBRO de 2019

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coluna da ana

A casa geriátrica

Publicada em 21/10/2019 às 13h27| Atualizada em 06/11/2019 às 12h07

Diferente da alegre casa das meninas e da casinha pequenina do
cancioneiro brasileiro, a “Casa Geriátrica” é muito triste. Difere
das alegrias, das danças e nos dá a dimensão exata do ocaso da
existência. No ar, fragmentos do passado, restos do que se foi e
algumas dores infinitas. Num canto da sala, compartilhada pelos
dezoito hóspedes que moram ali, um velhinho faz um lanche.Ao
lado, sua bengala. Na mesa, suco e frutas. Seu olhar é
melancólico. Como toda casa o é.

O que leva um familiar a deixar seu pai ou sua mãe num asilo?
Sei lá! Porque a vida prossegue.Talvez porque filhos e filhas
necessitam trabalhar.Cuidar de suas próprias vidas. E os idosos
precisam de atendimento médico e psicológico 24 horas por dia.
Só o amor parece que não basta. Ajuda muito, mas não basta.
Até para o asseio diário os velhos necessitam de apoio. Na Casa
Geriátrica os banheiros dispõe de vasos sanitários e estruturas
especializadas, para não haver escorregões nem tombos.Pois, a
maioria dos idosos tem problemas de visão e de motricidade.
Num outro espaço dentro da Casa, existe uma pequena sala de
música. Um piano e sofás confortáveis amenizam um pouco a
tristeza do lugar. Fim de todos. Ou de alguns privilegiados que
podem passar seus últimos dias, no conforto. Já que envelhecer
no Brasil sempre é problemático. Se não são as dores físicas, são
as dores do abandono, do negligenciar, do menosprezar . Muitas
famílias optam por entregar seus idosos à estas Casas
Geriátricas.Por contarem com profissionais dedicados.Por querer
o melhor para seus familiares.

No olhar de seus habitantes mora um vazio existencial. Muitos
por problemas de saúde mental, até se esquecem do seu

passado. Mas os lúcidos, mesmo os sadios intelectuais, ainda
enferrujam o andar. Ainda enxergam com dificuldades. Sabem
que dali, o caminho está seguindo a passos largos para o fim. Fim
de quem amou. Fim de quem lutou.Fim de quem um dia nasceu
criatura humana. A Casa Geriátrica esconde os fantasmas que
insistem em morar com a gente. E mesmo não acreditando neles
,um dia eles aparecerão em nossas vidas. Cansados e curvados .
Surdos e entorpecidos. Para talvez,dividir, sua última refeição.
Depois o segredo eterno de quem cerra os olhos. Depois
saudades.

Últimas Ana D Ávila

Tainá Rios

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