Quarta-feira, 13 de NOVEMBRO de 2019

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coluna da ana

Cachorrinha Estressada

Publicada em 28/10/2019 às 17h03| Atualizada em 06/11/2019 às 12h05

Passeando com uma coleira-guia estilosa ela cruzou a praça.Com
sua dona,estava no litoral. Mas notava-se seu desconforto com a
calmaria da praia. Residia na m ovimentada Padre Chagas,no
Moinhos de Vento, desde seu nascimento. Trânsito, barulhos e
confusão faziam parte de seu mundo. Estava no litoral apenas por
um final de semana. Sentia-se um cão estranho.

De olhar angustiado, rabo no meio das pernas e muito fugidia.
Estava assustada. Sentia a mudança no ar, na areia, na praça e no
próprio silêncio do lugar. Não estava acostumada a ser “zen”. Em
Porto Alegre tudo que ela testemunhava era correria, disparada e
violência. Que lugar estranho seria este agora? Deveria imaginar.
Parecia se cuidar de algum imprevisto. Sentia-se ameaçada, como
todo habitante das grandes cidades brasileiras costumam estar.Em
alerta.

Ao contrário, os cachorros que moram junto ao mar são tranquilos.
A maresia com o oxigênio puro os tranquiliza. Eles não latem nas
pessoas. Dormem. São saudáveis, mas mansos. Os mais atrevidos
só fazem aquelas correrias caninas quando passam por bicicletas
ou carros. Cachorros não gostam de pneus. Ou estão testando suas
velocidades. Sempre perdem. Automóveis sempre serão mais
rápidos.

A dona da cachorrinha chamava-se Renata.Estava achando
esquisito o comportamento do animal. A cachorrinha tinha pelagem
branca, porte médio e chamava-se Belinha. Desde que chegou à
praia na sexta-feira já parecia assustada. Passear na rua e ver o
mar para ela, foi assustador.Cheirava tudo que encontrava pelo
caminho. E deste ato, surgia um certo impacto. A tranquilidade para
ela que estava acostumada com pressa e poluição, estava dando
efeito contrário. Sentia-se desconfortável.

Passou todo sábado e domingo nervosa. Desconcertada mesmo. A
dona percebeu um certo estresse no bichinho. Que pelo visto, odiou
o final de semana no litoral. Renata sua dona, retrucou: “Isto vai
passar”. E realmente passou, assim que ela avistou a free-way e
aquela movimentação toda rumando de volta para a Capital.

Belinha, aos poucos, foi voltando ao normal. Era urbana.
Profundamente urbana.

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Tainá Rios

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