Terça-feira, 19 de NOVEMBRO de 2019

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

coluna da ana

O motel e o apocalipse

Publicada em 04/11/2019 às 14h47| Atualizada em 06/11/2019 às 13h

Livre de qualquer culpa, eles enfrentavam mais uma semana de vida. Ele, selvagem e rude. Ela, intelectual e pacifica. Que pensava em sair pelo mundo pregando a paz. Conscientizando verdades. Principalmente pelo meio-ambiente. Cansada de ver tanta mancha de petróleo enlameando as praias brasileiras.

 Mas era bonita. Isto dificultava. Seus dotes físicos  faziam dela um estopim de puro fogo. Todos a olhavam com olhos inescrupulosos. Não religiosos nem ambientalistas.  Mas sim, quase sempre, sexuais. Gostava de namorar. Mas resistia a muitos amores por não julgá-los adequados ao seu modo de vida.E principalmente à sua moral e aos bons costumes.

 Era uma mulher séria. Se fosse para curtir prazeres ao vento, jamais se envolveria. Queria um amor verdadeiro. Destes que vem para ficar. Destes que marcam vidas. Jamais pensava em colecionar homens pela quantidade. Optava pela qualidade.

Num encontro de  intelectuais conheceu alguém. Alguém que a balançou. Mas o atrevimento do candidato foi maior que o desejo de conhecê-lo. Era lindo por fora e horroroso por dentro. De cara e sem ao menos conhecê-la foi sentenciando: “Vamos para um motel”!

Que motel que nada. Não a respeitou. Ela não aceitou a proposta. Ficando deste ato, um desejo enorme de que ele não existisse. Foi o que fez. Apagou a lembrança. Congelou a criatura. Como na rede social, “deletou”.

Ela era ligada num movimento de pessoas que professavam o ambientalismo. Preocupava-se com o descarte do lixo cibernético. Com a água que a qualquer hora, não mais existiria. E sobre o colapso mundial da economia. Sua bandeira era batalhar alternativas para economizar  água, luz  e frear o consumismo desenfreado.

Foi no final de um congresso de ecologia que ela recebeu uma mensagem no whatsapp. Era o tal bonitão, querendo confirmar uma tarde prazerosa num motel da cidade. Inconscientemente ela lamentou ter lhe dado atenção. Ele  não a conhecia. Não sabia se ao menos, ela era comprometida. Atirou a isca e pensava comer o peixão.  Ela não era vulgar. Sabia que pessoas especiais e inteligentes não vão atrás somente de sexo.

É claro que ela desconsiderou a mensagem do whats. Que pessoa seria esta que via num mulher somente sexo, numa época tão terrível para a humanidade. Foi direto para a academia onde fazia musculação. Ele? Talvez tenha ido aplicar o convite-golpe em alguém menos esclarecido. Para alguém que, como dizia uma humorista de televisão: “só pensasse naquilo”. (Ana D´Avila)

Últimas Ana D Ávila

Tainá Rios

Redação, sugestão de pautas e redes sociais
51 9 9306 0162
redacao@diariodeviamao.com.br

Vinicius Ferrari

Direção Geral e administrativo
51 9 9962 3023
vinicius@diariodeviamao.com.br

Vitor Zwozdiak

Departamento Comercial
comercial@diariodeviamao.com.br

Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS