Segunda, 19 de AGOSTO de 2019

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crônica da semana

Entre cafés e petits

Publicada em 16/11/2016 às 10h16| Atualizada em 10/03/2018 às 12h08

De saia hippie-chique ela adentrou à cafeteria. Como sempre fazia, semanalmente. A cafeteria fervilhava de gente. Matéria-prima para suas crônicas. Observava seriamente o ambiente. Seguindo conselho de um, hoje famoso, escritor amigo: “Observar é preciso”!

Direto ao menu. Que relacionava diversos tipos de café. Um muito especial: “café com cachaça”. Riu. Não quis saborear este. Foi direto ao capuccino com “petit”. Um pãozinho pequeníssimo recheado de presunto e queijo derretido. Delícia !

Olha ao seu redor. Escolhe um lugar de canto. Meio escondida. Para altas observações. Enquanto degusta o café ouve a conversa  ao lado. Sentados, uma moça e dois rapazes. Estilo executivos da Quinta Avenida de New York City. De pastinhas pretas, óculos Prada e celulares ultra-sofisticados.

Eles estão preocupados com a violação de mensagens e interceptação de e-mails. Falam com desenvoltura sobre segurança empresarial. De tanto ouvir relatos sobre chamada segura em celulares e computadores, a conclusão é que eram agentes secretos. Talvez, tendo em pauta, a espionagem cibernética. Mas nem tanto. Porque estavam colocando suas ideias na mesa de um café? Falavam em tom baixo, mas em público. Ao meu ver, o que é secreto vem sempre acompanhado por precaução.

Na mesa à direita um instigante grupo de homens negros. Tinham aspecto de negros americanos: saudáveis, elegantes e de pele muito cuidada. Se na primeira mesa, parecia haver um grupo de agentes secretos. Discutindo blindagem, ships e pacotes de dados. Nesta outra, poderia existir uma confraria africana em Porto Alegre. Mas o que estariam fazendo no solo gaúcho? Turismo, negócios? Sei não!

Cansada da seriedade dos papos desta quinta-feira na cafeteria, mudei o rumo. Segui caminhando e observando. Encontrei  leveza em mulheres que compravam sandálias e batas coloridas para o verão 2017. Guris com celulares digitando torpedos para as namoradas. E... velhinhas intelectuais remexendo prateleiras na Livraria.

Aí neste espaço, entra um homem com ar introspectivo procurando o livro escrito por Adolf Hitler na década de 20. Não encontrou. Embora o dito livro de Hitler estivesse bastante procurado e divulgado na Internet. Com o título: “Minha Luta”.Ou seja, “Mein Kampf”. Quer saber? Melhor voltar à  Cafeteria e bisar o cafezinho com “petit”. Muito mais gostoso. Sem  pecha de seriedade.

 

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