Quarta-feira, 21 de AGOSTO de 2019

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opinião

Dias perdidos

Publicada em 30/11/2016 às 16h09

Sentada à mesa, ela descasca a laranja. A faca transforma a casca  numa espiral. Nada a impede de dentar um gomo. E outro. E mais outros. Saboreia a fruta e o suco. Sente a perfeição da forma e da cor. E o gosto cítrico entranhando em sua língua.

Em silêncio, come e pensa. Na gula, na vida, nos dias perdidos sem a leitura de livros. Agora, a maturidade, faz seus neurônios funcionarem com mais seriedade e precisão.  Agora a expressão de seus olhos adquire um outro brilho.Talvez o brilho da sapiência.

Na sala, em sua pequena biblioteca,  obras  brasileiras. Livros que não teve tempo de ler. Músicas que não teve oportunidade de ouvir. Nos álbuns de fotografias, parentes falecidos, que não teve tempo de abraçar. Como mereciam. E obras de autores mundialmente consagrados, que nem foram tocadas.

A vida corre. E o tempo humano de uma vida, é  compasso estabelecido. Lamenta o ócio, o sono e o perdão não dado.Todos aqueles dias inúteis passados na praia. Distantes e urgentes. Passados e teatrados. Na juventude, fase adulta e agora,no crepúsculo da existência.

Com o gosto da laranja-suco na boca,instala-se na cadeira mais confortável da casa e, tenta ler. O que não foi lido. O que distraí a mente. O que ensina. O que marca seu ser e seu cotidiano. Olhando vê, que nem Ernest Hemingway, Charles Bukowski, James Joyce,  Edgar Allan Poe e  Fernando Pessoa foram lidos. Prestigia autores brasileiros: Jô Soares e Paulo Coelho. Emociona-se com as peripécias do “Xangô de Baker Street”. E sente a acidez   na estória  da Mata Hari. A linda espiã  da Primeira Guerra Mundial.Que chegou à criação do  autor, em forma de telepatia. Tanta obsessão. Tantas palavras. Tanta mescla de verdade e ficção.

Chega o tempo de apressar a leitura. Repensar autores. Preencher os dias com escritos na língua portuguesa. Esquecendo coisas sem importância. Entendendo que   livros são os melhores amigos. Dificilmente frustam nossa companhia. De resto, a recuperação do  tempo perdido.A eterna e rara satisfação da leitura.

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