Quarta-feira, 16 de AGOSTO de 2017

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

opinião

De ônibus, com certeza

Publicada em 05/05/2017 às 10h15| Atualizada em 05/05/2017 às 10h53

“Tempos bicudos”! Já dizia o poeta Mário Quintana. Com a estranheza de quem jamais usou sua carteirinha de idosa, Dona Maria adentrou num ônibus. Agora usufruía de uma das raras vantagens de ser velha no Brasil. Possuir a Carteira da Prefeitura para circular de ônibus em caráter gratuíto, por qualquer bairro da cidade.

Chegou na roleta do trocador, que aliás era uma mulher. E sem jeito foi esfregando a carteirinha na caixa de identificação. A trocadora disse a ela, que aguardasse um pouquinho. Depois de um bipe, a trocadora disse “agora pode passar o cartão”. Ela adorou a presteza da moça e a dispensa do dinheiro para pagar a passagem. Só sentiu na hora que apareceu na tela da identificação,em letras garrafais, a palavra “IDOSA”. Sabe, aquela típica frase: “Está bom,mas é ruim”. Serviu para a ocasião.

Dentro do ônibus, um pessoal bem diferente daqueles que ela encontrava nas lotações. À frente do ônibus, quatro bancos reservados para idosos e pessoas com deficiência. Não teve dúvida, se abancou ali mesmo. Ao seu lado outra senhora portando um Samsung  digitava uma mensagem no celular.

E em cada parada do ônibus, mais gente entrava. No meio do caminho já abarrotado, o pessoal começou a se empurrar.

Pensou ela, “se isto aqui tivesse a sofisticação de um transporte de primeiro mundo, as pessoas sofreriam menos para se locomover, mas estamos no Brasil”. E aqui parece não haver investimentos sérios na área dos transportes. A impressão que ela tinha é que entrou numa lata de sardinhas, apesar de ser portadora da carteirinha de transporte gratuíto.

Uma moça de sapato de salto alto, parecendo uma empresária, também foi vista entrando no ônibus. É a classe média, que vendeu o carro para pagar dívidas e agora está indo trabalhar de ônibus. E dentro dele, as classes sociais se misturam. Como um senhor, bem esfarrapado e malcheiroso que também usava o coletivo. Quando ele passou na roleta, todos sentiram um cheiro embriagador de cachaça. “Nossa- pensou Dona Maria-um verdadeiro caldeirão”!

Depois o ônibus parou em frente à Universidade. Aí foi um entra e saí de moças e rapazes com mochilas e tablets. Eram limpinhos, o aroma de perfume francês vinha deles. Tinham um ar  de compenetrados.

Nova reflexão da idosa: “Bom estudar. Estão no caminho certo. Tomara que esta juventude que hoje está nas Faculdades façam do Brasil um país melhor para se viver”.

E, que apareçam novos empresários dispostos a investir em transporte com mais seriedade. Porque daqui a quarenta anos, estes rapazes e estas moças, que hoje estudam, por certo precisarão de um transporte coletivo com mais qualidade. Concluiu: ”Não somos sardinhas, somos seres humanos”.

Últimas Ana D Ávila

Paginas: [1] 2 Próxima »
Telefones:
Depto Comercial - 51 3046-6114 - Ramal: 200
Redação - 51 3046-6114 - Ramal: 202
ADM/Financeiro- 51 3046-6114 - Ramal: 200

Expediente:
Rodrigo Becker - Editor-Chefe
Bruna Lopes - Repórter
Maiara Tierling - Administrativo
Rosângela Ilha - Diretora
Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS