Quinta-feira, 14 de DEZEMBRO de 2017

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opinião

Um príncipe em Viamão

Publicada em 31/05/2017 às 14h19| Atualizada em 03/06/2017 às 18h52

Os primeiros negros no RS foram escravos no 1º ciclo produtivo gaúcho, a “Courama”. Porém, é sabido que não só nestas atividades o escravo estava inserido. Como em todo o Brasil (aqui não seria diferente) o negro está sempre por trás de um “ilustre”, carregando fardos, preparando alimentos, cuidando de casas e campos, construindo habitações e igrejas, tornando, enfim, viável a vida do “senhor”.

Os registros históricos nos contam que muitos africanos de linhagem nobre foram vendidos como escravos na luta pelo poder em suas nações. Porém, um desses príncipes africanos chegou ao Brasil em 1864 não como escravo, mas como homem livre desterrado de sua pátria. Adotou o nome brasileiro de José Custódio Joaquim de Almeida.

Em 1901, atendendo a pedidos de amigos, fixou-se em Porto Alegre, onde ficou conhecido como o “Príncipe de Ajudá”, respeitado pelos seus poderes religiosos. Mas a influência de Custodio não era só religiosa. Diziam que suas experiências “diplomáticas” de além-mar, no Reino de Benin, na Nigéria, fizeram vários políticos de seu tempo, como Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros e até Getulio Vargas, buscarem seus conselhos.

 

 

Seu exotismo era grandioso e conhecido por muitos, e em Viamão todos sabiam dos gostos aristocráticos dessa figura importante, misto de guru religioso e confidente político que na entrada do verão alvoroçava a comunidade e as famílias mais abastadas de nossa cidade. 

No verão, em janeiro, o programa era conhecido: viajavam todos para a casa que Custódio mantinha na Praia de Cidreira. A viagem para o velho balneário era qualquer coisa de sensacional e folclórico. Embora fosse dono de carruagens e tivesse dinheiro para alugar quantas diligências quisesse, o príncipe gostava de viajar em carros de bois, na maior calma e na mais incrível lentidão.

A viagem era feita por etapas em ritmo de passeio, parando em muitos lugares e querências de Viamão, onde ele era sempre esperado com festas e cerimônias religiosas africanas, muita comida e muita bebida, pois todos sabiam que tudo seria pago pelo ilustre viajante. Dessa maneira nunca o trajeto de Porto Alegre à Cidreira era feito em menos de uma semana. Com as carretas de transporte dos passageiros seguiam muitos empregados, encarregados de cuidar dos cavalos de corrida do príncipe que também iam aos banhos de mar. Isso, ele como treinador e tratador, fazia questão.

Com mais de 1m83, forte, extrovertido, Custódio Joaquim morou numa mansão com cinco filhas e três filhos, na Rua Lopo Gonçalves, 498, na Cidade Baixa. Falava inglês e francês com fluência, mas tropeçava no português. Vestia-se de acordo com a moda européia, mas usava trajes africanos em ocasiões especiais.

O Príncipe de Ajudá morreu em 1935, supostamente com mais de cem anos de idade e sempre será lembrado na comunidade afro-brasileira por sua alegria e benemerência, ajudando sempre a todos os negros que o procuravam.


Autora: Alyne Salatti de Escobar

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