Quinta-feira, 21 de SETEMBRO de 2017

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3º Neurônio | cinema

Joseph Späh, ator e contorcionista de vaudeville

O ator que sobreviveu ao desastre do dirigível

Publicada em 01/06/2017 às 13h56| Atualizada em 03/06/2017 às 18h50

Ben Dova era o nome artístico de Joseph Späh, um ator e contorcionista de vaudeville que talvez passasse despercebido na história se não tivesse sido um dos passageiros do dirigível Hindenburg, que pegou fogo em sua chegada em Nova Jersey, em 06 de maio de 1937.

O Hinderburg (também chamado de Zepelin) era a maior máquina voadora da época, e era o orgulho do governo nazista. A aeronave era um verdadeiro ícone da indústria alemã. Ele fez seu voo inaugural em 1936, e fez 63 voos nos 14 meses em que existiu. Tendo sobrevoado inclusive o Brasil.

 

Zepelin sobrevoando o Rio de Janeiro

 

Ben Dova, ou Joseph Späh, nasceu na França em 1905, mas migrou com a família para os Estados Unidos ainda criança. Apresentava-se em espetáculos de vaudeville fazendo contorcionismo e números de equilíbrio.

Um de seus números mais populares era o que se segurava em um poste falso, de borracha, e tentava se equilibrar enquanto o mesmo balançava. Ele chegou a registrar o número no topo do Edifício Chanin, de 56 andares, em Nova York.

O número que parece ser extremamente arriscado, na verdade é um truque cinematográfico. O poste foi colocado numa mureta de tijolos falsas, e os movimentos de câmera ajudam a dar ilusão de que ele realmente corre risco de vida.

 

 

Assista ao número de Ben Dova

 

Em 1930 Dova fez sua estréia no cinema, atuando no curta-metragem A Chinatown Fantasy (1930), da Paramount. Também atuou em The Way of All Freshmen (1933), sempre fazendo malabarismos acrobáticos.

Em 1937 foi para a Europa fazer uma turnê, e tinha contrato para se apresentar no Radio City Music Hall em 12 de maio daquele ano. Iria voltar à América de navio, mas chegou atrasado no porto e perdeu a viagem. Foi então que comprou passagens para o Hindenburg, único meio de chegar nos Estados Unidos a tempo de estrear o espetáculo. Em sua bagagem, levava consigo um cão que havia adotado, que iria dar de presente para seus filhos. 

Quando o Hindenburg estava pronto para aterrizar, ele pegou fogo ainda no ar. A estrutura foi caindo ao solo e muitas pessoas caíram das janelas do dirigível. Ben Dova ficou pendurado em uma janela, e esperou o momento exato para pular, estando o mais perto possível do solo, pulando mais ou menos de uma altura de seis metros.

 

 Destacado com a seta, o ator pulando do dirigível em chamas

 

Dova afastou-se das chamas e seguiu caminhando, conversou brevemente com o repórter Herb Morrison, que cobria o acidente, e foi procurar sua esposa e filhos que o esperavam no hangar. Foi sua esposa que percebeu que ele havia quebrado a perna na queda.

Morreram 36 pessoas no desastre, sendo 13 passageiros. O Chefe Heirich Kubis e o capitão Max Pruss acusaram Dova de ter sabotado o Hindenburg, dizendo que ele colocou uma bomba nas fuselagens, perto de onde seu cão estava sendo transportado. Como a viagem durou seis dias, ele constantemente ia na parte de trás (onde ocorreu a explosão) para ver e alimentar seu animal de estimação. Tal fato levantou as suspeitas dos oficiais nazistas, que não podiam admitir que um símbolo importante do nazismo tivesse sofrido um acidente por erros humanos.

 

 

O ator foi investigado pelo FBI e pela Gestapo, mas no final concluíu-se que ele não tinha culpa alguma, o desastre fora causado pela estática acumulada pela aeronave, aliada a uma brusca manobra que fez com que um dos tanques de hidrogênio explodissem. O fogo se alastrou rapidamente por causa da estrutura do veículo, construído com tecido de algodão impermeabilizado com acetato de celulose e recoberto com pó aglutinado de alumínio (a fim de conferir-lhe uma cor prateada, permitindo o destaque da suástica), altamente inflamáveis.

 

 

O artista continuou se apresentando em shows por muitos anos. Nos anos 70 e 80 fez mais alguns filmes, como Maratona da Morte (1976) e Dear Mr. Wonderful (1982).

 

Ben Dova em Maratona da Morte

 

Seu filho Gil Dova seguiu a carreira do pai, e apareceu como ator no filme Cassino (Idem, 1995). Ben Dova é tio do ator Jack Cassidy. Ele faleceu em 30 de setembro de 1986, aos 81 anos.

No filme O Dirigível Hindenburg (The Hindenburg, 1975), foi vivido pelo ator Robert Clary, que realmente sobreviveu ao Holocausto.

O cão que ele levava para seus filhos morreu no incêndio, mas a câmera que ele carregava consigo sobreviveu, e com ela imagens reais dos passageiros durante o voo do Hindenburg.

 

Confira as imagens da câmera de Ben Dova aqui:

 

Diego Nunes é gaúcho, formado em Rádio e TV pela Universidade Metodista de São Paulo, é pesquisador da memória cultural e artística, e sua paixão é o cinema. Além disso, atua como diretor cultural da Pró-TV, Museu da TV Brasileira, e no departamento de arquivo da Rede Record de Televisão.

Acompanhe-o pelo Memória Cinematográfica.

 

 

 

 

 

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