Segunda, 20 de NOVEMBRO de 2017

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3º Neurônio | cinema

Jean Harlow, ou Harlean Harlow Carpenter

A tragédia da primeira loira platinada do cinema

Publicada em 08/06/2017 às 09h57| Atualizada em 09/06/2017 às 15h

Jean Harlow chamava-se na verdade Harlean Harlow Carpenter, e nasceu em 03 de março de 1911, na cidade do Kansas, Missouri. Seu pai era dentista e sua mãe Jean Poe Carpenter era herdeira de uma família muito rica.

 

A pequena Jean Harlow

 

Apelidada de bebê ("baby"), ela sempre foi muito ligada a mãe, que era extremamente protetora. Sua genitora sempre sonhara em ser atriz e em 1923 deixou o marido e partiu com a filha para Hollywood para tentar realizar seu sonho. Mas ouviu dos produtores que aos 34 anos já estava muito velha para começar a carreira no cinema. Jean Poe então projetou seus sonhos na filha, colocando a menina em uma escola de Hollywood para garotas, onde começou a ter aulas para tornar-se atriz. Mas em 1925 o avô da futura estrela ordenou que elas voltassem ao Kansas, senão iria deserdá-las.

Semanas depois de retornarem, seu avô enviou a jovem para um acampamento de férias, onde ela contraiu escarlatina, o que afetaria a sua saúde para sempre.

 

 Harlow e a mãe

 

Aos 16 anos Harlean fugiu de casa para se casar com um empresário chamado Charles McGrew. Dois meses depois de casados, McGrew recebeu uma enorme herança e sua esposa tornou-se uma rica socialite de Beverly Hills. Eles se separaram em 1929, e ela ficou com boa parte do dinheiro do ex-marido. Neste mesmo ano ela deu carona para amiga Rosalie Roy até um estúdio, onde ela gravaria uma participação em um filme. Harlean ficou esperando Rosalie, para levá-la para casa. Um executivo a viu e a convidou para fazer um teste de elenco, mas ela recusou.

Quando soube que a filha recusara o convite para trabalhar no cinema Jean Poe ficou brava e pressionou-a para fazer o teste. Rosalie Roy também apostou que a amiga não teria coragem de fazê-lo, e para agradar a mãe e não perder a aposta ela acabou indo. Após recusar muitos convites, ela cedeu a pressão da mãe, e aceitou fazer figuração no filme A Caminho da Honra (Honor Bound, 1928), pelo qual ela nem foi paga.

Em sua estréia no cinema adotou o nome da mãe como nome artístico, para agradá-la com seu nome escrito nos créditos dos filmes.

 

Rosalie Roy

 

Rebatizada de Jean Harlow, seguiu atuando em pequenos papéis sem muita importância. Em 1928 assinou contrato com Hal Hoach para atuar em suas comédias, ganhando U$ 100,00 dólares por semana.

 

Jean Harlow e a dupla O Gordo e o Magro no filme Alegria em Dobro (Double Whoopee, 1929)

 

Em 1929 ela chamou a atenção do ator James Hall, que estava atuando em Anjos do Inferno (Hells Angels, 1930) do produtor Howard Hughes. Hughes havia feito o filme ainda mudo, mas estava refilmando a obra para transformá-lo em um filme falado. A atriz original Greta Nissen era norueguesa e ele procurava outra atriz para protagonizar sua super produção, devido ao forte sotaque de Greta.

 

James Hall, Jean Harlow e Ben Lyon em Anjos do Inferno

 

Hughes fez de Harlow uma estrela internacional, mas não teve interesse em manter-la para novos projetos, e vendeu seu contrato para a MGM, onde sua carreira deslanchou. Harlow foi a primeira loira platinada dos cinemas. Para obter a cor de seu cabelo utilizava uma mistura nada saudável de água oxigenada, amônia e sabão em pó. A descoloração contínua fez ela perder muito cabelo, tendo que recorrer a perucas em diversos filmes.

 

 

Sua aparição em Loura e Sedutora (Platinum Blonde, 1931) a consolidou como sex symbol da América. No ano seguinte atuou em Terra de Paixão (Red Dust, 1932), o primeiro dos seis filmes que faria com Clark Gable. Em 1932 ela casou-se com o produtor Paul Bern, assistente de Irving Thalberg. A loira não era só um dos maiores símbolos sexuais da época, mas tinha um apetite sexual compatível com sua fama. Mas Bern era impotente, o que tornou a relação dos dois muito conturbada. Ele a agredia constantemente, e ela o traía para se vingar se satisfazer. Dizem seus biógrafos que a atriz saía a noite disfarçada com uma peruca negra em busca de parceiros sexuais casuais, e que um deles teria dito para ela tentar a sorte em Hollywood, fazendo imitações da atriz Jean Harlow, com quem ele a achava parecida.

 

Harlow e Paul Bern

 

Após poucas semanas de casados, a situação chegou ao extremo quando um dia ela filmava no estúdio e Bern trancou-se em seu escritório no mesmo prédio, e se matou com um revólver calibre 38, encharcado com o perfume favorito da esposa. Ele também deixou um bilhete, onde dizia:

 

"Querida,

infelizmente essa é a única maneira de

superar o terrível erro que fiz, e acabei

com minha humilhação abjeta. Eu te amo!

 

Paulo

Você entendeu ontem à noite que era

apenas uma comédia"

 

Harlow gravava justamente Terra de Paixões quando seu marido cometeu suicídio. Louis B. Mayer, o chefão da MGM, deixou a atriz Tallulah Bankhead preparada para substituir Jean caso ela abandonasse as filmagens se fosse incapaz de continuar. Mas ela terminou o filme, e toda a publicidade do caso fez dele um enorme sucesso. 

 

Clark Gable e Jean Harlow, uma das duplas de maior sucesso do cinema

 

Apesar do escândalo, a atriz voltaria a se casar no ano seguinte, com o diretor Harold Rosson, mas se divorciaram apenas oito meses depois. Após o divórcio, começou a namorar o ator William Powell, no ano de 1937. 

Nesta mesma época começou a filmar Saratoga (Idem, 1937) com Clark Gable, seu galã habitual. Durante as filmagens, começou a sofrer constantemente de fadiga, e a produção foi interrompida por duas semanas para que Jean Harlow descansasse, após sofrer um colapso nos sets de filmagem. A produção já havia tido seu começo atrasado devido a uma internação da atriz por uma infecção após arrancar alguns dentes (para afinar a "maçã" do rosto).

Jean Harlow reclamava de náuseas, fadiga, dor no estômago e sudorese. Ficou vários dias de cama, acreditando sofrer de gripe. Sua mãe se recusava a chamar um médico ou dar-lhe medicamentos, pois sua religião não permitia, e a própria Jean concordava com isto. Mas a situação se agravou tanto, que no dia 06 de junho Louis B. Mayer e William Powell internaram a atriz a força. Mas já era tarde demais, ela entrou em coma e faleceu no dia seguinte de insuficiência renal, com apenas 26 anos.

Seu atestado de óbito diz que sua morte foi devido a uma aguda infecção respiratória, uremia e nefrite aguda. Ela sofria de problemas renais desde os tempos que teve escarlatina (mal tratada) e ainda tinha problemas alimentares, devido severos regimes que fazia constantemente para manter o peso. Após sua morte Gable disse que sentia-se contracenando com um fantasma pálido quando fez as últimas cenas com a atriz. 

Para não perder o material filmado, o filme estava quase pronto, e nem a publicidade gerada com sua morte, a MGM contratou a atriz Mary Dees para filmar as cenas restantes, substituindo Harlow no filme. Saratoga foi o maior sucesso de bilheteria da carreira da trágica atriz.

 

 

 

Jean Harlow foi o grande ídolo da atriz Marylin Monroe, que se inspirou nela para fazer sua imagem e carreira. Curiosamente Clark Gable foi o último galã a atuar com ambas as estrelas, antes de suas mortes precoces.

 

Veja o trailer de Saratoga

 

Diego Nunes é gaúcho, formado em Rádio e TV pela Universidade Metodista de São Paulo, é pesquisador da memória cultural e artística, e sua paixão é o cinema. Além disso, atua como diretor cultural da Pró-TV, Museu da TV Brasileira, e no departamento de arquivo da Rede Record de Televisão.

Acompanhe-o pelo Memória Cinematográfica.

 

 

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