Sabado, 16 de DEZEMBRO de 2017

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3º Neurônio | morte

Sharon Tate e, ao lado, Manson na época dos assassinatos e pouco antes de morrer

Charles Manson está morto; lembremos a vítima, Sharon Tate

Publicada em 20/11/2017 às 16h53| Atualizada em 23/11/2017 às 08h45

Reportagem publicada no Seguinte:, site parceiro do Diário de Viamão.

 

Responsável por esfaqueamentos que chocam os EUA há quase 50 anos, mesmo sem ter sujado as mãos com uma única gota de sangue, Charles Manson morreu neste domingo, aos 83 anos, de causas naturais. O ex-guru hippie cumpria prisão perpétua desde 1971, condenado por convencer jovens seguidores a assassinarem, "com o máximo de crueldade", pelo menos sete pessoas, incluindo uma das estrelas de Hollywood mais comentadas da época, Sharon Tate. É dela, a vítima, que lembramos, na reportagem de Diego Nunes, do Memória Cinematográfica.

 

No dia 9 de agosto de 1969, o mundo ficou estarrecido com o brutal assassinato da atriz Sharon Tate, grávida de quase nove meses, cometido por Charles Mason e sua seita de seguidores.

Sharon tinha apenas 26 anos e foi morta em sua casa, enquanto recebia amigos (que também foram assassinados).

Sharon Marie Tate nasceu em 24 de janeiro de 1943, em Dallas, Texas. Ainda criança, ganhou seus primeiros concursos de beleza, algo que seria constante nos anos seguintes de sua vida. Também foi a rainha do baile de formatura de sua escola.

 

Sharon Tate vencendo um concurso de beleza, em 1958.

 

Filha de um oficial do exército dos Estados Unidos, a menina morou em várias cidades devido as transferências de seu pai.

Aos 16 anos, mudou-se com a família para a Itália, onde também chamou a atenção por sua beleza. Fez alguns trabalhos como modelo e conseguiu uma figuração em As Aventuras de Um Jovem (Hemingway’s Adventures of a Young Man, 1962), que estava sendo filmado em Verona. Durante as filmagens, chamou a atenção do protagonista, o ator Richard Beymer, e começaram a namorar. Ele a incentivou a investir na carreira de atriz, e ela fez em seguida outra figuração em uma produção norte-americana rodada na Itália, Barrabás(Barabbas, 1961).

 

Sharon Tate como figurante em Barrabás (Barabbas, 1961)

 

Tate então disse para os pais que queria voltar para a América, para terminar seus estudos. Na verdade, ela voltou ao seu país para tentar carreira em Hollywood.

Na terra do cinema, procurou o agente de Beymer, que disse que ela era tão linda que ele não sabia o que fazer com ela. Tate voltou para a publicidade, trabalhando em muitos comerciais.

Ainda menor de 21 anos, seus pais tiveram que assinar uma autorização que a permitia atuar. Começou a fazer pequenos papéis em séries, como Mister Ed e O Agente da UNCLE (The Man From U.N.C.L.E) e fez aparições regulares na série A Família Buscapé (The Beverly Hillbillies). Nesta época, começou a namorar com Jay Sebring, o cabeleireiro das estrelas de cinema (que trabalhou algumas vezes como ator). Ele a pediu em casamento em 1964, mas ela recusou.

 

Sharon Tate e Max Baer Jr. em A Família Buscapé (The Beverly Hillbillies)

 

Jay Sebring e Julie Newmar em Batman (1966)

 

Sharon dizia que iria deixar a carreira quando se casasse, mas primeiro queria se consolidar na carreira que ainda engatinhava.

Ambicionando projetos maiores, fez teste para o papel da filha mais velha em A Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965). Também tentou fazer par romântico com Steve McQueen em A Mesa do Diabo (The Cincinnati Kid, 1965), mas Sam Peckinpah a considerou muito inexperiente e ela perdeu o papel para Tuesday Weld.

Mas o produtor Martin Ransohoff, que a estava agenciando, resolveu apostar alto em sua promissora estrela. Gastou cerca de um milhão de dólares em preparação e divulgação da atriz. Sharon na época ganhou o apelido de “A Million Dolar Baby”.

Seu tutor conseguiu o primeiro papel importante para ela em O Olho do Diabo(Eve of the Devil, 1966), com David Niven e Deborah Kerr.

O filme foi rodado em Londres, e ao término das filmagens, a atriz permaneceu na Inglaterra para rodar outro filme, A Dança dos Vampiros (Dance of the Vampires, 1967), dirigido por #Roman Polanski.

O diretor não a queria no elenco e insistiu em contratar Jill St. John, mas devido a insistência de Ransohoff, aceitou conhecê-la. Polanski não só se impressionou com a atuação da moça, como acabou se apaixonando por ela.

Tate e Jay Sebring ainda namoravam e estavam noivos. Mas ela o deixou para ficar com Polanski, com quem se casou em 20 de janeiro de 1968. Porém, ela e Sebring continuaram grandes amigos.

 

Casamento de Sharon Tate e Roman Polansky

 

A Dança dos Vampiros foi um grande sucesso e abriu as portas definitivas de Hollywood para a atriz. Em seguida, ela atuou com destaque em Não Faça Onda (Don’t Make Waves, 1967), agora rodado nos Estados Unidos.

Sharon Tate então foi escalada para atuar em O Vale das Bonecas (Valley of the Dolls, 1967), que também fez sucesso e lhe valeu uma indicação ao Globo de Ouro de atriz revelação.

 

Sharon Tate, Barbara Parkins e Patty Duke em O Vale das Bonecas (Valley of the Dolls, 1967)

 

Mas após este filme começou a ficar insatisfeita com sua carreira, que só explorava sua beleza física, com trabalhos pouco desafiadores. Sharon e Polanski retornaram à Londres, onde ficaram uma temporada. Nesta época, ela tentou romper o contrato com Ransohoff, pois queria ter uma vida mais caseira e se dedicar menos à Hollywood.

No verão de 68, Sharon Tate começou a atuar em Arma Secreta Contra Matt Helm (The Wrecking Crew, 1968), uma paródia dos filmes de James Bond, estrelada por Dean Martin. Após as filmagens, ela descobriu que estava grávida.

O casal procurou uma casa maior, para criar a sua nova família. Alugaram então uma mansão onde Terry Melcher (filho de Doris Day) havia residido. Sharon disse que era a “casa dos seus sonhos”. Durante a gravidez da atriz, Polanski foi para a Europa filmar The Day of the Dolphin. Tate, já com a gravidez adiantada, ficou em Los Angeles.

 

Sharon Tate grávida

 

Há 15 dias de ganhar o bebê, a atriz estava hospedando alguns amigos. Com ela estavam Jay Sebring (seu antigo noivo), Abigail Folger e Wojciech Frykowski. Na casa também estavam o caseiro William Garretson e seu amigo Steven Parentt.

Na madrugada do dia 9 de agosto, a mando de Charles Manson, um grupo de seus seguidores invadiu a casa e matou Sharon e seus convidados, em rituais com excesso de crueldade. Tate levou 16 facadas, muitas delas na barriga, onde carregava seu filho. Com o sangue da atriz escreveram a palavra “pigs” (porcos) em uma das portas. No dia seguinte, o mesmo grupo atacaria outra residência, matando mais duas pessoas.

O grupo da “família Mason” foi descoberto e condenado à morte, em um dos julgamentos mais famosos da história dos Estados Unidos. Devastado com o crime, Dean Martin se recusou a fazer os próximos filmes de Matt Helm que já estavam programados. Christopher Jones, protagonista de A Filha de Ryan(Ryan’s Daughter, 1970), abandonou a carreira de ator, sem mesmo terminar a dublagem final do filme (o diretor David Lean quem dublou o ator para poder lançar o filme). Pouco tempo antes de morrer, em 2014, Jones revelou que teve um breve relacionamento com Sharon anos antes.

O grupo de Mason, e ele próprio, não foram executados, mas estão presos até os dias de hoje. Nunca ficou esclarecido totalmente o motivo do massacre, mas uma teoria afirma que na verdade eles estavam no lugar errado. Meses antes, Mason enviara uma fita demo com suas canções (ele queria ser um astro musical) para Terry Melcher, que era produtor musical. Melcher, além de nem responder, perdeu as gravações originais e não as devolveu quando ele as pediu de volta. Alguns investigadores acreditam que o grupo entrou na casa buscando se vingar de Melcher, mas acabaram encontrando Tate e seus amigos.

 

 

Sharon Tate em Arma Secreta Contra Matt Helm

 

LEIA TAMBÉM

Saiba mais sobre a morte de Charles Manson na reportagem da BBC

 

Diego Nunes é gaúcho, formado em Rádio e TV pela Universidade Metodista de São Paulo, é pesquisador da memória cultural e artística, e sua paixão é o cinema. Além disso, atua como diretor cultural da Pró-TV, Museu da TV Brasileira, e no departamento de arquivo da Rede Record de Televisão.

Acompanhe-o pelo Memória Cinematográfica.

 

 

 

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