Quarta-feira, 18 de JULHO de 2018

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

3° Neurônio | crônica

A defesa dos bandidos

Publicada em 28/11/2017 às 09h34| Atualizada em 29/11/2017 às 15h07

Sei que muita gente é adepta de linchamentos – físicos e midiáticos. Sei também que muita gente que pede a cabeça de um batedor de carteiras não defende a morte pela polícia, sem julgamento, sem provas, de políticos e empresários corruptos. Quando pede, é porque a cabeça em questão é de algum inimigo partidário.

Talvez seja bom a gente pensar melhor esse negócio de provas e julgamentos. Se eu disser que mesmo o pior assassino merece julgamento, em vez de ser simplesmente linchado pela multidão ou morto por grupos de justiceiros da polícia, serei acusado de defender bandidos e desejarão que eu – ou alguma pessoa da minha família – seja assassinado numa noite dessas, que é pra eu não me meter a besta. Mas continuo achando que a justiça não pode ficar nas mãos de multidões enfurecidas nem de milícias por um motivo muito simples: se mesmo com investigação, mesmo com julgamento, dezenas e dezenas de pessoas são condenadas de forma injusta (os exames de DNA já tiraram vários do corredor da morte, nos EUA, por exemplo), o que dirá de pularmos todas essas formalidades? As chances de erros grotescos serão multiplicadas por quanto? Dez, vinte, trinta ou mais?

O advogado de defesa não existe pra dizer que o réu é um anjo puro – ele existe pra fazer a crítica das provas da acusação. Enfim, num julgamento o que deve (deveria) prevalecer é um mínimo de objetividade, não a ânsia de vingança. Se deixarmos de lado o sistema judiciário, voltaremos a tempos anteriores à existência do Estado. Se, com todo o aparato estatal, a lei do mais forte dá a maioria das cartas, imagina sem ele. Se você é incapaz de entender isso, sinto muito, deve voltar pros bancos da escola, e ligeirinho.

 

O cinema e a dura realidade

Quantos filmes você viu em que o casal, depois de uma noite tórrida, que marca o início de um romance, acorda e se beija na boca? Essa cena já foi mais grave, há décadas. A mocinha acordava com o penteado intacto, sem um borrão na maquiagem e sem remela.

Mas todos sabemos que só a Bela Adormecida não acordou com mau hálito.

 

Dicionário do mau digitador

Estétrica. Uma estética de histórias de terror.

Cornologia. Espero que você nunca seja objeto desse estudo.

Amaostra. Amostra de amante de ostras.

Colabroação. Ajudar a fazer broas.

Suagestão. Palpite complicado, um verdadeiro suadouro.

Bolume. Volume disforme, tipo, como diz o dicionário, “massa formada por alimentos após deglutição”.

Conversa. Eu quis escrever “conversa” de bate-papo e escrevi “conversa” de convertida a qualquer fé. Como faço pra corrigir isso? OK, cedo ou tarde uma gracinha dessas ia aparecer.

Instralar. Uma instalação ruidosa, espampanante. Coisa de novo-rico ou astro do rock.

Amago. Amigo mago. Ter um milhão de amagos talvez salvasse o Brasil.

Boilacha. É aquela coisa que os gringos botam dentro de um pãozinho com maionese e às vezes queijo.

Complatar. Preencher com prata. Deve ser resquício da olimpíada.

 

Ernani Ssó é escritor e vive em Porto Alegre.

 

 

 

Últimas 3º Neurônio

3º Neurônio | estilo
Estamos perdendo a vontade de fazer sexo?
3º Neurônio | ciência e religião
A “mais bela” explicação sobre a Criação, segundo Albert Einstein
3º Neurônio | estilo
Chega ao cinema a primeira heroína plus size
3º Neurônio | opinião
Sobre Jair Bolsonaro, “posso estar errado”
3º Neurônio | cinema
A estrela cult que encantou Elvis e inspirou Tarantino
3º Neurônio | cinema
36 curiosidades sobre O Mágico de Oz
3º Neurônio | cinema
Os filmes esquecidos de James Dean
3º Neurônio | comportamento
Pergunte-se se você é generoso ou apenas carente
Memória Cinematográfica
Carlos Gardel, o rei do tango que conquistou Hollywood; mas não teve tempo para aproveitar
3º Neurônio | cinema
A irreverente Dercy Gonçalves
3º Neurônio | opinião
O adulto-menino Neymar: retrato ou vítima de uma geração supermidiática?
3º Neurônio | entrevista
Os populistas estão do lado sombrio da história
3º Neurônio | ensaio
O suicídio dos que não viram adultos nesse mundo corroído
3º Neurônio | cinema
A trágica vida de Maggie McNamara
3º Neurônio | opinião
É mais interessante o Lula sacralizado ou o Lula profano?
3º Neurônio | opinião
Quando o Deus dos animais acorda de ressaca
3º Neurônio | comportamento
Quem dos 11 tipos é você no grupo de pais e mães do WhatsApp?
3º Neurônio | opinião
Caminhoneiro: o novo velho protagonista do Brasil
3º Neurônio | tecnologia
Sem celular até os 15 anos: uma lei para proibir telefone nas escolas
3º Neurônio | opinião
A hipótese do futebol tecnocrata: porque o analista moderno despreza tanto o talento e a intuição
Administrativo/comercial
51 3046-6114 - Ramal: 200
Redação
51 3046-6114 - Ramal: 202

redacao@diariodeviamao.com.br

Vinicius Ferrari - repórter
Guilherme Klamt - repórter/imagens
Silvestre Silva Santos - editor/economia
Maiara Tierling - administrativo/comercial
Rosângela Ilha - diretora
Roberto Gomes - diretor
Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS