Quarta-feira, 18 de JULHO de 2018

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3º Neurônio | crônica

Arte sobre pintura de autor desconhecido do século XVI

Como torturar Bolsonaro

Publicada em 19/12/2017 às 16h22| Atualizada em 20/12/2017 às 16h03

Sou contra a tortura, mesmo no caso do Jair Bolsonaro e outros hominídeos do tipo. Mas é uma tentação abrir uma exceção, confere?

Segundo Bolsonaro, numa frase célebre, o erro da ditadura foi torturar, não matar. A menos que ele estivesse pensando numa pessoa específica, Dilma talvez, isso não faz o menor sentido – há pilhas de provas de que a ditadura torturou e matou. O herói de Bolsonaro, o obscuro Brilhante Ustra, tem anotado em seu prontuário quarenta e cinco mortes sob tortura.

Claro que a frase essa também não faz o menor sentido em termos éticos. A lógica dela é criminosa, ponto. Quer dizer, no mínimo Bolsonaro devia ter sido processado por defesa da violência. Mas não só não aconteceu nada, como ele conseguiu uma série de adeptos com ela, o que me leva a lamentar a hora em que os hominídeos desceram das árvores e deixaram de andar de quatro. Bom, mentalmente ainda andam de quatro, mas essa é outra história.

Sempre se lembra que o inventor da guilhotina acabou guilhotinado. Isso é o que eu chamo de justiça poética. Mas o diabo é que ela é muito rara. Brilhante Ustra, por exemplo, morreu de velhice e ainda escapou da justiça. Sabe-se, por aqui a justiça atua com rigor e presteza com quem ganha de salário mínimo pra baixo. Sobraria então a justiça celeste. Dizem que Deus não joga mas fiscaliza. Mesmo que Deus existisse, eu teria minhas dúvidas sobre a fiscalização. Há legiões de Brilhantes que nem cartão amarelo levaram.

Mas, num exercício de raciocínio macabro, me perguntei: qual seria a melhor forma de torturar Jair Bolsonaro? Minha primeira ideia não foi muito bondosa: Bolsonaro é preso e levado a algum porão, onde é entregue ao doutor Tibiriçá – como se sabe, codinome do Brilhante nos tempos em que chefiava os torturadores e assassinos. Horror, Tibiriçá é claramente gay, acusa Bolsonaro de comunista e faz carinhos suspeitos no pau de arara. Essa cena talvez pudesse acabar com a separação de Bolsonaro de suas bolas.

Não, não. Não tenho o menor prazer em pensar uma truculência dessas. Eu só desejo uma coisa a Jair Bolsonaro: que ele tenha um instante de consciência clara. Sim, uns dois ou três minutos em que ele pudesse ver a si mesmo e compreender a pessoa asquerosa que é.

 

Ernani Ssó é escritor e vive em Porto Alegre.

 

 

 

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