Terça-feira, 17 de JULHO de 2018

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

3º Neurônio | opinião

Protesto contra a corrupção no prédio do Congresso Nacional em março de 2016 | VALTER CAMPANATO | Agência Brasil

Qual é a única coisa que une os brasileiros e que o poder prefere esconder?

Publicada em 26/04/2018 às 17h22| Atualizada em 07/05/2018 às 15h23

Até os mais pobres estão mais preocupados com a corrupção dos poderosos do que com a própria economia, algo que só seria concebível em países com velhas raízes democráticas. O Diário recomenda e reproduz o artigo publicado pelo El País

 

Será verdade que, como injustamente se divulga no exterior, os brasileiros estão divididos em tudo? Que nada é capaz de unir os cidadãos de um lado e do outro do arco político? Há dois brasis irreconciliáveis em tudo? A julgar pelos resultados da última pesquisa nacional do Datafolha, a resposta é não.

De acordo com essa pesquisa, quem aposta em um Brasil dividido em tudo deve se sentir frustrado. Existe um tema que vem incendiando a opinião pública nos últimos anos e que se intensificou com a condenação e prisão de Lula: o apoio à Lava Jato, cuja continuidade é defendida por 84% dos brasileiros. Apenas insignificantes 12% acham que deve terminar. O Brasil todo parece unido na luta contra a corrupção e contra as tentativas de “estancar a sangria”, sonho de tantos políticos e poderosos e até mesmo de boa parte do Supremo Tribunal Federal. Entre esses 84% que querem que a Lava Jato continue estão, por exemplo, 77% dos eleitores de Lula, algo que o PT, que acusa a Justiça de ser seletiva com seu partido, deveria explicar, se de fato a grande maioria de seus eleitores também defende essa cruzada contra a corrupção.

Outro dado importante de uma pesquisa anterior do Datafolha confirma que os brasileiros concordam, quase unanimamente, que a Lava Jato deve seguir seu caminho: em 22 anos, é a primeira vez que a corrupção é a maior preocupação do país. Não é a violência? Não. A corrupção já preocupava quatro vezes mais em 2015. E a educação? Também não. Preocupa quatro vezes menos que a corrupção. Não seria economia, ou o desemprego, a maior preocupação dos brasileiros? Não, a corrupção preocupa cinco vezes mais. E a saúde, a angústia das filas nos hospitais? Nem isso. A corrupção interessa duas vezes mais que a saúde.

Será que os pré-candidatos à presidência tomaram consciência de que a sociedade como um todo, pobres e ricos, continua a favor da luta contra a corrupção? E os governadores, senadores e deputados que pretendem ser reeleitos? Terão percebido os excelentíssimos magistrados do Supremo que a única coisa que parece unir os brasileiros é a luta contra a corrupção, e quase 60% defendem a prisão após condenação em segunda instância sem esperar pelos recursos a instâncias superiores? E que a grande maioria é contra o foro privilegiado?

Sabemos que mais de um magistrado disse não entender o que significa a voz das ruas e que lhes interessa mais a letra da lei que no seu espírito, que é o que deve ser levado em conta quando se trata de julgar indivíduos de carne e osso. Não é segredo que, no Brasil, antes da Lava Jato, a Justiça procurava ser humana e respeitosa com os condenados importantes, para quem a presunção de inocência deveria ser sagrada. O condenado sem nome tornava-se, por outro lado, um número frio e sem alma.

Um povo que foi capaz de metabolizar sem dramas nem tumultos a prisão de Lula e dos grandes industriais do país acusados de corrupção talvez seja mais solidamente democrático e socialmente mais saudável do que uma minoria exaltada se esforça para negar. Se for esse o caso, é uma injustiça grave apresentar, no exterior, um Brasil à beira de um descarrilamento democrático, um golpe militar ou uma guerra civil, como vi escrito em jornais sérios. É injusto porque é falso. O que o mundo deve saber é que, no Brasil, até os mais pobres estão mais preocupados com a corrupção dos poderosos do que com a própria economia, algo que só seria concebível em países com velhas raízes democráticas.

Às vezes, chego a pensar que este país pode até dar uma reviravolta na teoria de Murphy, segundo a qual “se algo pode dar errado, dará”. Talvez seja capaz de interpretar essa lei pessimista mudando-a para o lado positivo: “se algo pode dar certo, dará”. E se nas próximas eleições, apesar de todo o pessimismo, acabar, por exemplo, acontecendo o melhor?

 

Últimas 3º Neurônio

3º Neurônio | ciência e religião
A “mais bela” explicação sobre a Criação, segundo Albert Einstein
3º Neurônio | estilo
Chega ao cinema a primeira heroína plus size
opinião
Totens de autoatendimento aliam agilidade com economia
3º Neurônio | opinião
Sobre Jair Bolsonaro, “posso estar errado”
3º Neurônio | cinema
A estrela cult que encantou Elvis e inspirou Tarantino
3º Neurônio | cinema
36 curiosidades sobre O Mágico de Oz
3º Neurônio | cinema
Os filmes esquecidos de James Dean
3º Neurônio | tecnologia
Lembra do Brick Game?
3º Neurônio | comportamento
Pergunte-se se você é generoso ou apenas carente
Memória Cinematográfica
Carlos Gardel, o rei do tango que conquistou Hollywood; mas não teve tempo para aproveitar
3º Neurônio | cinema
A irreverente Dercy Gonçalves
3º Neurônio | opinião
O adulto-menino Neymar: retrato ou vítima de uma geração supermidiática?
3º Neurônio | entrevista
Os populistas estão do lado sombrio da história
3º Neurônio | ensaio
O suicídio dos que não viram adultos nesse mundo corroído
3º Neurônio | cinema
A trágica vida de Maggie McNamara
3º Neurônio | opinião
É mais interessante o Lula sacralizado ou o Lula profano?
3º Neurônio | opinião
Quando o Deus dos animais acorda de ressaca
3º Neurônio | comportamento
Quem dos 11 tipos é você no grupo de pais e mães do WhatsApp?
3º Neurônio | opinião
Caminhoneiro: o novo velho protagonista do Brasil
3º Neurônio | tecnologia
Sem celular até os 15 anos: uma lei para proibir telefone nas escolas
Administrativo/comercial
51 3046-6114 - Ramal: 200
Redação
51 3046-6114 - Ramal: 202

redacao@diariodeviamao.com.br

Vinicius Ferrari - repórter
Guilherme Klamt - repórter/imagens
Silvestre Silva Santos - editor/economia
Maiara Tierling - administrativo/comercial
Rosângela Ilha - diretora
Roberto Gomes - diretor
Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS