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3º Neurônio | cinema

A estrela Ginger Rogers

Publicada em 19/07/2018 às 15h54| Atualizada em 23/07/2018 às 13h50

Ginger Rogers entrou para a história do cinema como uma das maiores estrelas dos musicais, geralmente ao lado do dançarino Fred Astaire. Ela ganhou um Oscar de Melhor Atriz por sua atuação em Kitty Foyle (Idem, 1940).

 

 

Ginger nasceu Virginia Katherine McMath em 16 de julho de 1911, em Independence, Missouri. O apelido Ginger foi dado por uma prima, que quando criança, não conseguia pronunciar Virginia. Seus pais se separaram logo que ela nasceu, e sua mãe Lela E. Rogers mudou-se para Los Angeles para tentar a carreira de roteirista. Ginger, a única filha do casal que sobreviveu, foi morar com os avós. Seu pai a sequestrou algumas vezes, tentando obter a guarda da filha. Lela casou-se novamente em 1920, com John Rogers e a menina então foi morar com o novo casal. Ela considerava o padrasto como um pai, e usaria o sobrenome dele artisticamente.

 

: Ginger aos 10 anos de idade

 

Usando o nome de Lela Leibrand, sua mãe tornou-se roteirista de cinema a partir de 1917, quando escreveu The Climber (1917), dirigido por Henry King. 

Em 1925 Ginger venceu um concurso de Charleston, com 14 anos de idade. Como prêmio ela ganhou um contrato de quatro semanas pra se apresentar no circuito itinerante de shows. Com ajuda de sua mãe, entrou para espetáculos de vaudeville. Ela se casou em 1929, com o ator Jack Pepper, seu partner no teatro. Mas após alguns meses casadas percebeu que cometera um erro.

Neste mesmo ano atuou em Girl Crazy (1929) na Broadway. Fred Astaire foi contratado para ajudar os dançarinos do espetáculo com as coreografias. Mas eles não chegaram a trabalhar juntos nesta produção.

Ainda em 1929 ela contratou um agente, e ele conseguiu para ela seu primeiro papel no cinema, no curta-metragem A Day of a Man of Affairs (1929). Ginger atuou ainda em dois curtas, antes de atuar em Inconstância (Young Man of Manhattan, 1930), seu primeiro longa metragem.

 

Ginger Rogers em Inconstância

 

Os papéis cinematográficos de Ginger foram melhorando com o tempo. Em 1931 ela se separou de Jack Pepper. A atriz começou a chamar a atenção do público por suas atuações em Cavadoras de Ouro (Gold Diggers of 1933, 1933) e Rua 42(42nd Street, 1933). 

 

Ginger e as coristas (que incluem Ruby Keeler e Una Merkel) em Rua 42

 

Em 1933 Ginger atuou em Voando Para o Rio (Flying Dow to Rio, 1933), estrelado por Dolores del Rio e o brasileiro Raul Roulien. O filme se passava no Rio de Janeiro (filmado em estúdios nos EUA), e mostrava a inauguração do Cassino Atlântico.

Roulien sugeriu que Ginger fizesse com par com um dançarino chamado Fred Astaire, em seu segundo filme. A dupla tornaria-se uma das mais lendárias duplas dos cinemas. Em seguida, Ginger estrelou Vinte Milhões de Namoradas (Twenty Million Sweethearts, 1934) ao lado de Dick Powell, seu primeiro filme como protagonista.

Em 1935 voltou a atuar com Astaire em A Alegre Divorciada (The Gay Divorcee, 1934), Roberta (Idem, 1935) e O Picolino(Top Hat, 1935), todos fizeram muito sucesso.

 

Ginger e Fred em O Picolino

 

Ginger insistiu em usar um vestido adornado com penas de avestruz. O diretor Mark Sandrich e Astaire disseram que a roupa seria impraticável para dança, mas Ginger insistiu em usar o traje. Não houve tempo para os ensaios, e durante as filmagens do número Cheek to Cheek e as penas começaram a se soltar, voando para o rosto de Astaire, que declarou se sentir "uma galinha sendo atacada por coiotes". Quando Leslie Caron pediu para fazer seu próprio figurino em Papai Pernilongo (Daddy Long Legs, 1955), Astaire concordou, mas implorou para ela não usar penas. A cena do vestido foi parodiada em Desfile de Páscoa (Easther Parade, 1948), onde Astaire dançava com uma bailarina desajeitada coberta de plumas, papel interpretado por Judy Garland.

Ginger e Fred fizeram ao todo dez filmes juntos, Voando Para o Rio (1933), A Alegre Divorciada (1934), Roberta (1935), O Picolino (1935), Nas Águas da Esquadra (Follow the Fleet, 1936), Ritmo Louco (Swing Time, 1936), Vamos Dançar? (Shall We Dance, 1937), Dance Comigo (Carefree, 1938), A Vida de Vernon e Irene Castle (The Story of Vernon and Irene Castle, 1939) e Ciúme, Sinal de Amor (The Barkleys of Broadway, 1949).

Mas a dupla, que esbanjava carisma nas telas, não se dava muito bem fora delas. Ginger chegou a declarar que ela "fazia tudo que Fred Astaire fazia, só que de salto altos e de costas". A última vez que eles se apresentaram juntos foi na entrega do Oscar de 1967, onde foram ovacionados pela platéia. Em 1991, quando a atriz foi homenageada por sua carreira no Hall da Fama, a viúva de Astaire não autorizou que usassem clipes com imagem do ator na cerimônia.

 

 

Paralelamente aos filmes musicais, atuou em comédias de sucesso como Que Papai não Saiba (Vivacious Lady, 1938) e Mãe Por Acaso (Bachelor Mother, 1939). Após atuar com Astaire em A Vida de Vernon e Irene Castle (1939), a RKO queria que ela rescindisse seu contrato, apesar do filme ter feito muito dinheiro, ele não alcançou o sucesso que eles esperavam e as produções musicais da dupla custavam muito dinheiro ao estúdio.

Também atuou em dramas e filmes sérios como No Teatro da Vida (Sage Door, 1937). Ginger buscava papéis mais desafiadores, e em 1940 ganhou um Oscar de Melhor Atriz por Kitty Foyle (Idem, 1940).

 

: James Stewart Ginger Rogers, os vencedores do Oscar de 1940

 

Em em 1942 ela se tornou a atriz mais bem paga de Hollywood, e atuou em sucessos como Seis Destinos (Tales of Manhattan, 1942) e A Incrível Suzana (The Major and the Minor, 1942). Sua mãe, Lela, atuava neste último filme, sua única aparição no cinema como atriz. Em Pernas Provocantes (Roxy Hart, 1942), interpretou Roxy Hart, personagem que daria origem ao musical Chicago.

 

Cartaz de A Incrível Suzana 

 

Ginger continuou atuando no cinema nas décadas de 40 e 50, mas sem repetir o mesmo sucesso dos filmes feitos até a Segunda Guerra Mundial. Na década de 50 voltou aos papéis coadjuvantes, atuando em filmes como Dilema de Uma Consciência (Storm Warning, 1951), estrelado por Doris Day e Ronald Regan e O Inventor da Mocidade (Monkey Business, 1953), ao lado de Cary Grant e Marilyn Monroe. Com Monroe ela ainda atuaria em Travessuras de Casados(We're Not Married!, 1952).

 

Cary Grant. Ginger Rogers e Marilyn Monroe em O Inventor da Mocidade

 

Ela gerenciava sua carreira, e fez algumas escolhas ruins. Também recusou papéis importantes, como as protagonistas de Bola de Fogo (Ball of Fire, 1941), A Felicidade Não se Compra (It's a Wondefull Life, 1946), Só Resta Uma Lágrima (To Each His Own, 1946) e A Cova da Serpente (The Snake Pit, 1948). Os papéis foram feitos por Barbara Stanwick, Donna Reed e Olivia de Haviland, respectivamente.

Em 1949 Ginger voltou a atuar com Fred Astaire em Ciúme, Sinal de Amor (The Barkleys of Broadway, 1949), na MGM. Ela assumiu o papel após Judy Garland ser suspensa por seus inúmeros atrasos. Foi a última vez em que a dupla atuou junta.

 

Ginger e Fred em Ciúme, Sinal de Amor

 

Depois de atuar em Os Noivos de Minha Vida (Oh, Men! Oh, Women!, 1957) Ginger ficou sete anos sem longe dos cinemas. Ela só retornaria as telas em Chama Ardente (Harlow, 1965), interpretando a mãe abusiva da atriz Jean Harlow. O papel seria de Judy Garland, que também foi afastada da produção. Este foi o último trabalho de Ginger Rogers na tela grande.

Ginger então voltou à Broadway, estrelando Hello Dolly! (1965) e ainda protagonizou Mame (1969), em Londres. Ela teve convites para voltar ao cinema, mas recusou. Entre os filmes que ela dispensou estão O Vale de Bonecas (Valley of Dolls, 1967) e Viagens com a Minha Tia (Travels with My Aunt, 1972). Em 1985, aos 74 anos de idade, realizou seu sonho de dirigir Babes On Arm em uma produção off-Broadway.

Por insistência de Lucille Ball, Ginger ainda apareceu na televisão, atuando em um episódio de Here's Lucy em 1971. Aos 60 anos de idade, ela ainda dançou Charleston, um ritmo que não dançava há muitos anos, numa cena antológica ao lado de Lucille (também com 60 anos) e Lucie Arnaz.

 

 

Ginger e Lucille eram primas distantes. Ela também era prima da atriz Phyllis Fraser, e Rita Hayworth era sobrinha de Vinton Hayworth, que era casado com a tia materna de Ginger.

Ela ainda apareceria em alguns programas de televisão, como O Barco do Amor (The Love Boat) em 1979 e Hotel, em 1987, seu último trabalho como atriz. Em 1991 ela publicou sua biografia "Ginger, My Story".

 

Com Douglas Fairbanks Jr. em O Barco do Amor

 

Nos últimos anos de vida ela ficou muito doente. Após sofrer dois derrames, passou a se locomover em uma cadeira de rodas. Ginger Rogers, por motivos religiosos, nunca ia ao médico ou tomava remédios, pois sua religião não permitia. Diagnosticada diabética aos 22 anos de idade, nunca se tratou. Ela só tomou insulina no período que esteve casada com o ator William Marshal, que aplicava injeções na atriz, alegando que eram vitaminas para deixá-la mais disposta.

 

Ginger em 1990

 

Em 1995 Ginger entrou em coma diabético, e em 25 de abril de 1995 ela acabou falecendo, após sofrer uma parada cardíaca. Ela tinha 83 anos de idade.

 

 

Ginger e Elaine Stewart comemorando o Carnaval no Brasil, em 1955

 

A atriz se casou cinco vezes, mas não teve filhos.

 

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