Sabado, 24 de AGOSTO de 2019

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3° Neurônio

A verdadeira Mariana

Publicada em 12/09/2018 às 15h03| Atualizada em 05/07/2019 às 15h41

por Leandro Melo

Segunda-feira, dia chuvoso e já passando das 19h. Quando despertou, hoje pela manhã, Mariana não imaginou que sua vida mudaria. As comemorações de ontem incluíam a permanência dos filhos junto do pai até terça e, por isso, a rotina iniciou diferente. Café pra uma pessoa, mais rápido, de pé em frente a pia da cozinha e partir para um único destino.

Já no trabalho, o dia passou voando e sentiu uma grande satisfação de fazer o que fazia. Se viu sorrindo umas duas vezes enquanto destacava clientes para ligar e ouviu cada palavra que pronunciou.

Chegou a pensar claramente nas frases e o efeito que teriam antes mesmo de falar e mais uma vez sorriu sozinha. Pensou que aquilo não era normal. Assim como não era normal ignorar os comentários depreciativos da colega de bancada ou a falta de gosto da comida do refeitório. Tudo nessa segunda-feira teria novo sabor.

Para sair, precisou dar a partida três vezes no Fiat Uno 99, mas sem os praguejos de costume e enfrentou o trânsito sem ligar o rádio. Mariana cruzou mais uma vez a porta de casa, tomou um banho rápido e sem pressa, escovou os cabelos, comeu uma fruta e foi para a poltrona da sala com o abajur ao lado ligado.

Tinha nas mãos o menor livro de poesias que achou entre outros títulos numa estante. Abriu em uma página aleatória e espantou-se com letras do tamanho do seu olhar inteiro, impressas naquele quadrado de 13 por 15 centímetros. Uma coletânea de poetas desconhecidos do grande público, perdida há anos na pilha das coisas mais essenciais.

E com todos aqueles homens e mulheres conversou durante a noite. Pensou em abrir um vinho, mas isso seria dar atenção a alguma cena vista no cinema ou na TV e logo abandonou a ideia. Embriagou-se de silêncio e daí veio o seu prazer mais nobre.

Tinha acendido os desejos e encontrou lugares que o melhor 4G não havia lhe oferecido até agora. Finalmente na cama, dormiria não por sono ou cansaço, mas para estar plenamente revigorada no dia seguinte. Ela começaria a correr, para quando soprar suas 50 velinhas ter pleno fôlego e saúde.

E fechou os olhos feliz porque a verdadeira Mariana voltou sem aviso e a vida ganhou novo sentido.

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