Terça-feira, 25 de JULHO de 2017

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opinião

Mosteiros Cervejeiros

Publicada em 14/07/2017 às 21h24| Atualizada em 15/07/2017 às 13h32

A fabricação de cerveja era parte dos trabalhos diários de monges e padres nos mosteiros e abadias medievais.

Em séculos de perseguição, dstruição natural e mudanças culturais e religiosas boa parte dessas instituições foi destruída. Mesmo assim, ainda restam muitos registros dessas atividades, que foram, por um bom período, fonte de sustento para os religiosos e para a comunidade que vivia à sua volta.

Ainda hoje existem as ruínas daquela que foi uma das pioneiras na arte de fabricar cerveja: a Abadia de Saint-Gall, na Suíça, que fabricava três tipos diferentes de bebida.

A ligação da vida religiosa com a cerveja remonta ao início do século IX, quando os mosteiros começaram a produzir cerveja como parte da dieta dos monges durante o período de jejum. O primeiro registro data de 820, na Abadia de Sankt Screamed, na Suíça. Como cultivavam os ingredientes, eles mesmos fabricavam o produto, que era isento de impostos, por ser produzido por religiosos. Parte do excedente produzido era oferecida gratuitamente aos penitentes andarilhos e peregrinos que buscavam essas instituições. Só na Alemanha medieval existiam quase quinhentos mosteiros-cervejeiros. As Abadias e os mosteiros tiveram grande importância na manutenção e na difusão da cultura cervejeira.

A ligação entre as bebidas e os religiosos católicos foi reforçada, em 1662, pela aprovação do Papa Alexandre VII à ingestão de bebidas pelos penitentes, decretando que o líquido não quebrava o jejum (çiquidum non frangit jejunum), ou seja, o consumo de bebida - do chocolate líquido à cerveja - passava a ser permitido durante os períodos de penitência e jejum. O curioso é que o vinho não foi incluído nessa liberação. A explicação para isso é que o debate ocorreu em torno do desjejum, refeição matinal que, àquela época, incluía apenas pão, cerveja e chocolate.

Em diferentes momentos da história, as questões religiosas abalaram o poder dos mosteiros no mercado cervejeiro. Primeiro, eles foram fortemente pressionados a não mais servir cervejas gratuitamente, já que essa prática prejudicava as cervejarias controladas pelos senhores feudais que, além de tudo, eram contribuintes do Estado. Com o fortalecimento da monarquia na Europa do século XIV, foi desencadeada uma crise nas instituições eclesiásticas. Mais tarde, o humanismo evangelista do século XVI, que provocou a reforma, gerou uma onda contrária aos religiosos católicos, representados principalmente pelos mosteiros e abadias. Henrique VIII squeou os mosteiros ingleses, em nome de suas divergências com o Vaticano, e Napoleão, em 1796, expulsou os religiosos de seu Império também por divergências com o Papa.

A partir das mudanças ocorridas no final do século XIX, como a Revolução industrial, aumentaram as dificuldades da vida monástica, o que gerou uma grande escassez de monges e reduziu drasticamente o número de abadias.

Mas todos esses obstáculos não foram suficientes para extinguir a longa tradição cervejeira dos mosteiros.

Atualmente as receitras especiais desenvolvidas por mosteiros medievais sobreviventes ainda são usadas para produzir excelentes cervejas.

Um grupo em particular conservou a tradição de produzir excelentes cervejas do tipo Ale: os monges trapistas. A Ordem Trapista, ou Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observância, é uma congregação católica derivada da Ordem de Císter, do século XII, que segue a regra de São Bento "ora et labora" (orar e trabalhar). Eles vivem em profundo silêncio e austeridade, e passam toda a vida no mesmo mosteiro.

O termo trapista deriva do mosteiro de Notre-Dame de La Trappe, na Normandia, reconstruído no final  do século XIX. Os mosteiros trapistas são conhecidos por seus produtos: pães, biscoitos, queijos e cervejas, que é produzida tanto para o consumo dos monges, que não são proibidos de ingerir bebidas alcoólicas, quanto para venda. Hoje existem 171 mosteiros trapista no mundo, mas apenas onze deles produzem cerveja, infelizmente nenhum no Brasil.  Para muitos apreciadores, as cervejas trapistas estão entre as melhores do mundo.

Existem muitos outros mosteiros que também produzem sua cerveja, mas não são da Ordem dos Trapistas. As cervejas fabricadas por esses outros mosteiros, ainda que utilizem o mesmo processo, não são autorizados a usar o nome "trapista" e são chamadas "cervejas de abadia".

Vou citar as 5 Abadias mais conhecidas pelas suas cervejas aqui no Brasil.

 

WEATMALLE

Abadia trapista de Westmalle, está localizada na região de Antuérpia, Bélgica. Fundada em 1804, em abril de 1836, tornou-se um mosteiro trapista e em dezembro do mesmo ano produziu sua primeira cerveja.

 

 

WESTVLETEREN

Abadia de Saint-Sixte Sixtus, em Westvleteren, na Bélgica, foi fundada em 1831, e produziu sua primeira cerveja em 1839. Seus produtos somente são vendidos no mosteiro com reserva prévia e quantidade limitada, e não podem ser revendidos, considerada hoje uma das melhores cervejas do mundo.

 

 

CHIMAY

Abadia de Scourmont, em Chimay, na Bélgica, fundada em 1850, produziu sua primeira cerveja em 1864. Atualmente produz também quatro tipos de queijos, muito famosos.

 

 

ROCHEFORT

Abadia de Notre-Dame de Saint-Rémy, em Rochefort, na Bélgica, foi fundada em 1230 e devastada pelos calvinistas em 1568. Refundada em 1899, somente em 1952, após a segunda Guerra Mundial, é que começou a produzir comercialmente.

 

 

 

LA TRAPPE

Abadia Onze-Lieve-Vrouw van Koningshoeven, em Schaapskooi, na Holanda, foi fundada em 1881, tornou-se trapista em 1891 e produz cerveja desde 1884, mas somente em em Outubro de 2005 foi oficialmente reconhecida como trapista.

 

 

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