Quinta-feira, 14 de DEZEMBRO de 2017

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opinião

A faca na bota do João-sem-medo-Saldanha

Publicada em 06/08/2017 às 10h31| Atualizada em 08/08/2017 às 09h58

Futebol com 11 canarinhos é frescura: meu time terá 11 feras.

João Saldanha, jornalista e técnico da seleção brasileira nas eliminatórias da Copa do Mundo em 1969, autor de outras célebres frases:

 

Jogador de futebol não pode ter posição fixa, futebol não é loteamento.

 

Quatro homens defendendo um ao lado do outro é a chamada 'linha burra' – quatro homens um ao lado do outro, só em parada militar.

 

Todo técnico de futebol juvenil é meio bicha, e todo técnico que defende concentração é candidato a corno.

 

Futebol não segura governo, o que segura governo é tanque.

 

Futebol não dá prestígio político, Benito Mussolini foi campeão do mundo com a Itália e morreu enforcado.

 

Querer adivinhar resultado de jogo de futebol é tão duro quanto fazer matemática com números romanos: tente uma conta somando XIX com IV.

 

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Quando foi perguntado se toparia ser técnico da seleção brasileira, o jornalista João Saldanha respondeu com apenas uma palavra: “Topo”. Com ele, em 1969, o time das “Feras do Saldanha” terminou invicto as eliminatórias da Copa do Mundo de 1970. O Brasil ganhou o tri, mas sem o João-sem-medo: a poucas semanas do mundial, pressionado pelo presidente da república, general Garrastazu Médici, a convocar o centroavante Dario, ele foi outra vez curto e consistente. “O senhor convoca os seus ministros, pode deixar que dos jogadores cuido eu”, disse. Foi demitido, claro!

Gaúcho de Alegrete, comunista, já tinha sido técnico do Botafogo (onde saiu a tiros atrás do goleiro Manga). Espirituoso, podia fazer uma frase antológica em qualquer lugar e situação. Em 1988, na Olimpíada de Seul, esparramado no chão de uma velha caminhonete sem bancos a caminho de alguma competição, ao lado do jovem e também talentoso narrador paulista Osmar Santos, Saldanha se queixou com bom humor. “Pensa, Osmarzinho: bom mesmo pra ver Olimpíada e Copa Mundo é em casa, na frente de uma TV”, disse o João. Sábias palavras!

Na época, ele já tinha só a metade de um pulmão, e não podia andar mais de 50 metros sem parar para tossir. Morreu dois anos depois, em Roma, ao final da Copa do Mundo de 1990, na Itália.

A doença tinha começado a aparecer na década de 1970, e no dia 3 de julho de 1987, quando completou 70 anos, Saldanha estava no Estádio Chateau Carreras (que hoje é Mário Kempes), em Córdoba, na Argentina. Naquela noite o Brasil levou 4x0 do Chile, pela Copa América. João trabalhava para uma rádio do Rio, e quando se descobriu que ele estava de aniversário ficou resolvido que alguma coisa teria que acontecer – pelo menos um bolo, pôxa!

As encarregadas pela organização da festa foram as meninas do centro de imprensa do Chateau Carreras. Receberam o dinheiro de uma “vaquinha” festiva e, solícitas, logo apareceram com um enorme bolo, 70 velinhas, pratinhos, colherinhas, guardanapos; as meninas também colocaram balões e fitas coloridas na sala dos jornalistas, e inclusive iniciaram a cantoria do “parabéns a você”, o “cumpleaños”, beleza. Mas foi exatamente aí que aconteceu a desgraceira: na hora de cortar o bolo, cadê faca? Não tinha faca! Em todo Chateau Carreras não apareceu uma miserável faca para cortar o bolo dos 70 anos do Saldanha! Logo na Argentina, pode isso?

Pois foi ele próprio que resolveu a parada: botou o pé direito encima de uma cadeira, agachou-se, levantou a perna da calça, e trouxe de dentro de uma bainha de couro amarrada na panturrilha uma senhora faca, de uns 25 centímetros (pelo menos) só de lâmina. “Serve essa?”, perguntou candidamente.

O João era mesmo de faca na bota!

 

 

100 vezes ouro

 

Lá por 1962 o Milan ofereceu 1 milhão de dólares pelo jovem Pelé. O presidente do Santos, Modesto Roma, nem respondeu, e avisou dentro do clube: qualquer dirigente que sequer comentasse o assunto estaria automaticamente demitido.

Em 1972 o técnico de maior salário no futebol brasileiro era Oto Glória, do Grêmio, com 8 mil dólares de adiantamento e 2.200 de salário, livres, mais duas passagens ida e volta ao Rio por mês. Em 1975, o jogador mais caro do Brasil, Figueroa, recebia 4.500 dólares mensais e estava avaliado em 1 milhão.

O holandês Cruyff foi vendido pelo Ájax ao Barcelona em 1973 por 3,5 milhões de dólares. Em 1990 outros três holandeses eram os jogadores mais bem pagos do mundo, no Milan: Gullit, Van Basten e Rijkaard recebiam 2,5 milhões de dólares por ano, cada um.

Agora, no Paris Saint Germain, Neymar recebe esse valor – em euros, 2 milhões – por mês. São 66 mil euros por dia, 2.500 euros por hora. Inclusive dormindo, a cada três horas Neymar ganha 7.500 euros. É mais do que os 8 mil dólares que Pelé recebia da cota do Santos por cada jogo no exterior.

Neymar saiu do Barcelona por 820 milhões em reais. Cada um dos seus 69 quilos custou 12 milhões de reais. Um quilo de ouro vale 120 mil. Simples assim: Neymar custou 100 vezes mais do que ouro.          

Agenda histórica do futebol gaúcho na semana

 

6.8.2017, domingo

1980 – Inter perde Libertadores em Montevidéu, 1x0 para o Nacional do Uruguai

1981 – Grêmio ganha troféu San Salvador del Mundo, com 3x2 sobre seleção de El Salvador

1983 – Inter campeão do Torneio Costa do Pacífico, em Vancouver, Canadá, 2x0 seleção da China 

 

7.8.2017, segunda-feira

1971 – Primeiro gol de toda a história do campeonato brasileiro é marcado por um clube gaúcho: pelo atacante argentino Nestor Scotta, em Grêmio 3x0 São Paulo, no Morumbi

 

8.8.2017, terça-feira

1971 – Primeiro jogo do Inter no campeonato brasileiro, 0x0 Fluminense, Beira-Rio

 

9.8.2017, quarta-feira

1973 – Primeiro jogo do Inter na Europa, em Atenas, derrota de 2x0 contra o Sporting Lisboa

2006 – Inter ganha do São Paulo por 2x1 no Morumbi na primeira partida das finais da Copa Libertadores de América, dois gols de Rafael Sobis

 

10.8.2017, quinta-feira

1975 – Inter hepta gaúcho, 1x0 Grêmio, Beira-Rio

1994 – Grêmio bi da Copa Brasil, 1x0 Ceará, Olímpico

 

11.8.2017, sexta-feira

1912 – Maior goleada da história do Inter, 16x0 contra o S.C. Nacional

1923 – presidentes do Inter, Heitor Carneiro, e do Grêmio, Bráulio Teixeira, acertam realização de Gre-Nal, após três anos sem o clássico 

1984 – Brasil com 11 jogadores do Inter na Olimpíada de Los Angeles é medalha de prata no futebol em derrota de 2x0 para França, com  101.799 espectadores no Rose Bowl e foguetórioem Porto Alegre pela derrota

2010 – No primeiro jogo das finais da Libertadores, Inter 2x1 Chivas no Estádio Omnilife em Guadalajara, gramado sintético

 

12.8.2017, sábado

1965 – Ruy Tedesco eleito novo presidente do comitê de construção do Beira-Rio, após morte de José Pinheiro Borda

 

 

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