Terça-feira, 23 de OUTUBRO de 2018

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esporte

Clássico Gre-Nal e a cultura gaúcha

Publicada em 20/03/2018 às 16h34| Atualizada em 23/03/2018 às 17h40

Essa semana, não poderíamos deixar de falar do clássico Gre-Nal. Pela terceira vez na história estamos conseguindo acompanhar três Grenais em sequência. A rivalidade entre estes dois times é tão grande que quando há jogo entre eles, mobiliza o Estado inteiro.

A cultura gaúcha é muito marcada no país pelo tradicionalismo, no qual todos nos reconhecem pelas prendas, churrasco e o Gaudério. Entretanto, quando o assunto é futebol, o Estado só pensa em uma coisa: Gre-Nal. O clássico já foi eleito como o oitavo maior rivalidade do mundo pela revista inglesa FourFourTwo e eleito pela revista Trivela o maior Clássico do Brasil.

Essa rivalidade se dá pelo fato de ser os dois maiores clubes do Estado, e praticamente divide o Rio Grande Do Sul, pois se você não é Colorado, é gremista e vice-versa. As duas equipes são da capital gaúcha e já foram campeãs mundial uma vez cada. Até no aspecto de títulos internacionais as duas equipes se equivalem. Entretanto, para o torcedor, a flauta sempre acontece. Os gremistas tocam a corneta pelo fato de ter sido o primeiro do Estado a conquistar as duas maiores competições que um clube brasileiro pode conquistar. Por outro lado, os colorados se denominam campeão de tudo, pelo fato de ter sido o primeiro clube brasileiro a conquistar a copa Sul-Americana.

O maior número de vitórias consecutivas é do Grêmio, com seis vitórias, já pelo lado Colorado esta façanha se repetiu por cinco vezes. Em dia de jogo a capital inteira se padece com a partida. Os torcedores fazem apostas, vão ao estádio acompanhar os treinos e ainda apoiam o time um dia antes da partida. No dia do clássico, o transporte cria novos itinerários, algumas ruas são bloqueadas para facilitar o acesso.

Para o jornalista Rafael Serra, o Gre-Nal é o maior Clássico do futebol. “ O Gre-Nal é o maior clássico do futebol. E não é bairrismo. Um estado onde quase tudo é Grenalizado, desde os tempos da revolução farroupilha (ximango ou maragato), o clássico nos traz aspectos positivos e negativos.

Os positivos: um quer ser maior que o outro. Dessa forma, conseguiram conquistar os mais importantes títulos. Mesmo com recursos financeiros menores do que os times localizados no eixo Rio-SP-Minas. Patrimônio: um baita estádio e uma das arenas mais modernas da América Latina. Não bastasse isso, os dois tem mais de 100 mil sócios num dos menores estados do brasil, mas com extensão territorial igual ou menor de algum país europeu. Formamos craques, técnicos, ídolos e personagens com a rivalidade Gre-Nal.

Negativos: o pensamento pequeno em relação a diversos assuntos relevantes no esporte na questão social. Perdemos tempo com questões pequenas como favorecimento/prejuízo da arbitragem e não debatemos a importância da conscientização em relação a homofobia e preconceito racial. Enfim, o Gre-Nal, dentro e fora de campo, nos deixa tristes e felizes. Assim como a vitória ou a derrota do time do coração”, conta Serra.

Apesar de toda essa Grenalização, o Estado do Rio Grande do Sul é um dos poucos que ainda coloca torcida dividida no Brasil. A maioria dos Estados, como Rio e São Paulo, tem torcida única por conta das brigas nos estádios.  Entretanto, o Gre-Nal foi o pioneiro na questão torcida mista, no qual os torcedores da dupla tem um espaço reservado para ficar o jogo torcendo juntos. Até hoje não gerou brigas e serve como exemplo para o País.

Para o colorado Guilherme Matos, 25 anos, a torcida mista dá ânimo para ir ao estádio. “O mais legal da torcida mista é que, nela, você se sente entre amigos. Ninguém briga. E olha que fui três Gre-Nais de torcida mista, entre eles o do título gaúcho do Inter (vitória colorada por 2 a 1) e o dos 5 a 0 para o Grêmio, na Arena” relata o jovem. Já a gremista e professora de Educação infantil Joana Muller, 28 anos, conta que agora já consegue assistir aos jogos com o namorado. “Nós dois amamos nossos clubes e nunca havíamos conseguido ir ao clássico juntos e desde que fundaram esse espaço conseguimos vir em todos” conta a professora. 

Em entrevista concedida ao jornal Zero Hora, o narrador da rádio Gaúcha, Pedro Ernesto Denardin, conta que a narração do clássico é diferente e tem toda uma preparação antes do jogo. “Eu durmo cedo, o sono é básico para a voz. Tomo água, faço exercícios para voz. Se tem um casamento ou um aniversário na véspera de um Gre-Nal, não vou. No outro dia vou bocejar no microfone? Não dá. Paciência, assim é o meu ofício. O Gre-Nal é diferente, tem mais responsabilidade. Não pode dar a sensação de que torce para um ou outro, deve-se torcer para os dois e fazer a festa do ganhador. A cobrança é muito grande, os caras contam o tempo do grito de gol do Inter e do Grêmio e depois comparam. É uma loucura”, declara o narrador.

Já para o jornalista esportivo da TV Bandeirantes, Chico Garcia, o Gre-Nal é algo rotineiro no dia a dia dos gaúchos. “ O Gre-Nal é um dos mais fortes expoentes da nossa cultura. Transcende o futebol. Está na roupinha do Grêmio ou Internacional quando o bebê nasce, nos primeiros jogos quando ainda é criança, a familiaridade com a camisa azul ou vermelha. O Gre-Nal é algo intrínseco no gaúcho. Não apenas no dia do jogo. É ser gremista ou colorado o tempo todo. Escolher um lado e defendê-lo até o final. O Gre-Nal é uma das maiores identidades do nosso povo, ao lado do churrasco e do chimarrão. É família, amigos, paixão, bairrismo. Tudo isso junto. Muito mais do que um jogo. É Gre-Nal! ”, afirma o jornalista.


Assim como as prendas, o chimarrão e o CTG, o clássico Gre-Nal está presente na rotina dos gaúchos, seja ele no ato da partida ou até mesmo nas vestimentas do dia a dia.

 

 

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Tainá Rios

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