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opinião

No Mundo do Trabalho, Carlinha bate um pontão

Publicada em 09/01/2015 às 10h| Atualizada em 11/01/2018 às 15h10

Na loja de ferragens e equipamentos elétricos, os funcionários são quase todos homens. Reina aquele clima de camaradagem, com piadas e apelidos pitorescos de “pé-de-pano”, do sujeito que caminha arrastando os calcanhares, de “rampa”, daquele que pede dinheiro emprestado e demora pra devolver, de “Seu Barriga”, do cara que embora grisalho, é idêntico ao personagem da Turma do Chaves.

Os clientes, também em maioria masculina, adoram e alguns até frequentam o lugar mais pra jogar conversa fora, reclamar da política, reorganizar o meio de campo da seleção brasileira e tomar o cafezinho passado a cada duas horas por ninguém menos que o vendedor conhecido por “Palmirinha”!

Mas nesse panteão de Eros e ferramentas, reina absoluta uma deusa. Carla é a compradora que chegou há pouco mais de dois anos para trazer melhores resultados à empresa. Do alto de seus 28 anos, enxugou as contas, otimizou o sistema de estoque e sai uma hora mais cedo, duas vezes por semana, para dar conta do MBA que está em vias de concluir.

Com beleza suficiente para inspirar poetas de todas as épocas é muito séria e aceita ser chamada de Carlinha pelos colegas. Mas, rejeita todas as investidas, cantadas comportadas e assanhadas, convites e propostas.

Muitos daquela turma esqueceram que onde se vende parafuso não se aperta a carrapeta. Na semana passada, porém, uma vendedora foi contratada e, portanto, lançada em meio aos leões.

Nem é preciso dizer que as piadinhas que rolavam de um lado ao outro do pavilhão cessaram, os nomes dos crachás voltaram a ser usados no dia a dia e um clima mais austero passou a dominar o lugar.

Mesmo assim, todos gostaram da menina, que ia muito bem na função, aliás. Só quem via problema era a Carlinha. Tanto que na hora de registrar as entradas e saídas no relógio ponto, instalado na recepção da loja, até se demorava um pouco mais, puxando assunto com os colegas para saber mais da novata.

Alguns até suspeitaram, mas não acreditaram que aquele incômodo era ciúme. Que ingênuos esses meninos! Que deusa suportaria ser destronada? E, por um tempo, até a liberalidade de sair mais cedo para estudar foi deixada de lado, em detrimento de horário extra, cumprido, em parte, com visitas ao setor de vendas.

Mudou o perfume, as roupas e se revelou uma gremista bastante entendida das tabelas dos campeonatos. Já não era mais a Carlinha das compras, era a Carlinha do happy hour com a turma da firma! Mas assim que a recém chegada tomou outro rumo e se bandeou pra concorrência, Carla, aos poucos, voltou a sua natureza de andar apressado e olhos cerrados.

E os pobres colegas passam os dias ansiosos por uma nova contratação feminina. Até lá, é contentar-se com ligeiro desfile da musa daquele pequeno Mundo do Trabalho quando ela vai registrar a digital no leitor ótico.

 

 

 

Últimas Leandro Melo

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