Sexta-feira, 17 de AGOSTO de 2018

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opinião

A verdade sobre a vida no escritório

Publicada em 11/04/2018 às 14h51| Atualizada em 14/04/2018 às 00h27

Seis coisas que são eternas

 

1 - Luxúria

Isso é bem anterior à invenção de funcionários do sexo feminino. Como Samuel Pepys escreveu em seu diário em 30 de junho 1662: “Acordei cedo e fui para o escritório, onde encontrei a garota de Griffen limpando-o, mas, Deus me perdoe! Como a desejava, mas não me envolvi com ela”. Quando as mulheres chegaram aos escritórios, muita coisa começou a acontecer, e muitas vezes terminou muito mal mesmo. Em 1958, Connie Nichols, secretária na Eli Lilly, manteve um longo caso com seu chefe, mas quando descobriu que tinha sido substituída por uma modelo mais jovem, deu um tiro nele.

 

2 - Falar mal de colegas

Ridicularizar colegas de trabalho parece ser uma necessidade básica das pessoas que trabalham em escritórios. Lamb compôs um dístico sobre um colega particularmente obtuso chamado Ward: “O que Ward sabe, só Deus sabe; mas sabe lá Deus o que Ward sabe!”. Embora a necessidade seja constante, o modo de execução mudou – ditos espirituosos foram, desde então, substituídos por brincadeiras de mau gosto em redes sociais.

Eu mantenho minha previsão de que o escritório sem papel só será realidade depois dos banheiros sem papel

 

3 - Prêmio de beleza

Ser alto, falar baixo e agradável aos olhos sempre foi uma vantagem. Verificou-se que os executivos-chefe contemporâneos nos Estados Unidos são 2,5 polegadas mais altos do que o homem médio, e inúmeros estudos têm mostrado que os mais bem- apessoados têm maior taxa de sucesso. Cem anos atrás, a menção do “fator beleza” era explícito: no Bank of Scotland, no fim do século XIX, funcionários eram “removidos da vista”, em virtude da “baixa estatura”, ter uma “voz meio esquisita” ou por “suas orelhas de abano e cabelo ruivo”.

 

4 - Políticas mesquinhas

Em minha vida profissional, algumas das mudanças mais impopulares focaram mordomias insignificantes, como biscoitos grátis. Na Companhia das Índias Orientais, em 1817, houve uma gritaria geral quando a festa de Natal – a “festa anual da tartaruga” – foi suprimida. Ainda pior foi uma nova iniciativa que exigia uma assinatura a cada 15 minutos durante o dia inteiro. Uma política que faz parecer laisser-faire a insistência de Marissa Mayer em que o pessoal do Yahoo compareça ao trabalho.

 

5 - Slogans motivacionais

Na moderna sede do Facebook em San Francisco, as paredes são cobertas de avisos dizendo: “O que você faria se não estivesse com medo?”. No edifício Larkin Soap, em Buffalo, também bastante modernoso à época de sua inauguração, em 1907, o arquiteto Frank Lloyd Wright mandou esculpir nas paredes: “Pensamento, sentimento, ação”. Esses slogans não se revelaram excepcionalmente bem-sucedidos: a Larkin Soap faliu.

 

6 - Papel

É famosa a previsão da “Businessweek”, em 1975, segundo a qual os escritórios iriam funcionar sem papel, mas nos 25 anos seguintes o volume de papel usado nos escritórios continuou crescendo. Embora estejamos agora abandonando um pouco o hábito, o trabalhador médio ainda gera 1 quilo de papel por dia. Eu mantenho minha previsão de que o escritório sem papel só será realidade depois dos banheiros sem papel.

 

Seis coisas que nunca voltarão

 

1 - Livros registro

O fim dos livros de registro foi, possivelmente, a melhor notícia que os escritórios já receberam. O sistema baseado no registro de informações em ordem cronológica significava que nenhuma informação podia ser recuperada. A invenção do arquivo para pastas suspensas, em 1868 – permitindo que as coisas fossem arquivadas em ordem alfabética – foi, provavelmente, um passo maior para a economia baseada em conhecimento do que o computador.

 

2 - Um cemitério de equipamentos

Coisas como canetas de pena, papel mata-borrão, máquinas de escrever, máquinas de somar, computadores de grande porte, editores de texto e máquinas de fax já se foram todos, ou estão indo.

 

3 - Ruído

O fim do som de metal batendo das máquinas de somar, de máquinas de escrever e dos estridentes telefones de baquelite significou o fim do ruído. Agora, há apenas a leve batida nos teclados e a educada vibração dos celulares. Texto substituiu falação. A ironia é que, contra todo o silêncio perturbador, o que começamos a fazer? Usar fones de ouvido.

 

4 - Cigarros

Essa era a droga perfeita nos escritórios e um lubrificante social. Nos tempo de Dickens, em vez de cigarros, era a vez do rapé: “O funcionário sorriu quando enquanto fez o comentário e inalou uma pitada de rapé com um entusiasmo que parecia ser intensificado pela mescla de paixão pelo rapé e antecipação do prazer de cobrar uma taxa”. Nas burocracias, o prazer da cobrança de taxas sobreviveu ao apego ao cigarro, que foi expulso dos ambientes de trabalho, consumido apenas por uma minoria obstinada na calçada à frente do prédio.

 

5 - Privacidade

Trabalhadores subalternos sempre trabalharam em salões sem divisórias, enquanto os gerentes tinham suas própria salas – até a década de 1960 e um movimento alemão denominado Bürolandschaft removeu as paredes e colocou vasos de plantas em seu lugar. A partir de então, o avanço dos “planos abertos” continuou, e, apesar de os executivos conseguirem manter suas próprias salas, as paredes agora são feitas de vidro. Assim, quem quiser um encontro reservado é obrigado (a) a sair do aquário e ir à escada.

 

6 - A “tia da copa”

Em 1666, a mulher do responsável pela casa da East India Company começou a fazer chá para os diretores e assim nasceu o papel da “tia do chá”. Nos 300 anos seguintes, ela foi uma figura “cult” na maioria das empresas, com seu grito de boas-vindas: carrinho. Em 2003, Isa Allan, uma “senhora da copa” na Scottish Enterprise, recebeu uma condecoração da rainha por ser o “coração e alma” do lugar. Porém, até mesmo a rainha não foi capaz de deter o avanço da mecanização, da terceirização e dos cortes de custos: a “tia” do chá foi substituída pela máquina de café, pelo bebedouro e pela rede de fast-food Pret a Manger – e nenhuma das alternativas é tão competente.

 

Lucy Kellaway, no Financial Times via Jornal Valor Econômico

 

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